Aqui vão conversas de um grupo de WhatsApp. Pessoas esclarecidas e, talvez por isso, escaldadas com o cenário político. Vamos ao papo. Vou chamar os protagonistas de Maria e João.
Maria – João, você reparou como aparecem denúncias em tudo quanto é grupo, portal, rede social agora que estão se aproximando as eleições?
João – Aparece e se espalha. Viraliza. Pouco importa se é verdade ou mentira. E a mentira, você sabe, corre mais que a verdade…
Maria – Pois é… e essas fake news nunca vêm sozinhas… Trazem medo, raiva, às vezes, falsa indignação… gritaria.
João – Mas isso é estratégia, Maria! O debate vira gritaria. Os caras usam a desinformação, generalizam as críticas para enfraquecer o sistema democrático. E aí a democracia vira refém do boato. Quem grita mais alto ganha espaço, não quem tem melhor proposta.
Maria – E muita gente acaba votando mais por impulso do que por escolha… Por isso, é preciso desconfiar, checar informações, comparar discurso e atitude.
João – O problema é que, todo dia, tem alguém denunciando um novo escândalo. E as pessoas começam a duvidar de tudo… começam a achar que nada funciona.
Maria – E é daí que vem o perigo. A descrença nas instituições abre espaço pra quem promete “acabar com tudo isso aí”. O tal candidato “antissistema”. Que, no fundo, não é contra o sistema corrupto, é contra a democracia mesmo.
João – Já vimos isso em 2018. O cara se vende como solução simples pra problemas complexos. Finge indignação e vai pelo atalho autoritário, onde desgasta a confiança coletiva e põe a democracia em risco. O descrédito total é que vira combustível para aventuras antidemocráticas.
Maria – Preciso desconectar. Desconectar daqui, claro. Do debate, nunca. Democracia dá um trabalho danado. Afinal, está fácil disseminar mentiras. Difícil é achar a verdade.
João – Vai lá. E vamos nos falando, que informação é poder.
Maria – Desinformação também, né? Só que contra a gente!
Meto a minha colher. Essa busca do fim da polarização Lula x Bolsonaros (no plural mesmo, porque a disputa, mais do que entre projetos políticos, virou duelo pessoal), esse monte de denúncias, de malfeitos em todos os poderes, pode gerar, em vez de um tercius que junte o melhor da política, um monstro que, atacando o sistema, quer, mesmo, é se beneficiar dele.
Então, junto com as denúncias, com as críticas, fundamentais na democracia, é preciso dar nomes aos bois. Em vez de dizer que o Congresso aprova na calada da noite, por que não dar os nomes dos deputados e senadores que aprovam as barbaridades?
Por que não se mostra o oportunismo de uns – como os deputados do Partido Novo – entre eles, o gaúcho Marcel Van Hatten – que votaram contra o projeto do Gás do Povo e, ao ver que o projeto dos penduricalhos (que vai beneficiar a eles mesmos) tinha aprovação garantida, votaram contra…
Por que, em vez de dizer que Vorcaro tem proteção de autoridades, não se dá o nome dessas autoridades?
Os anti estão por aí… É preciso cuidado com eles. Eles não são a favor de nada. São contra tudo que não seja do restrito interesse deles. Eles vêm, de novo, com aquele papo de defesa da família, da liberdade de expressão, de comunismo… Tudo conversa fiada em busca de uma nova oportunidade de chegar ao poder e atentar contra todas as liberdades. Como tentaram em janeiro de 2023.
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Foto da Capa: Juca Varella / Agência Brasil

