No Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, é essencial refletirmos sobre a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mercado de trabalho. Dados revelam que aproximadamente 85% dos adultos autistas no Brasil estão desempregados, evidenciando uma lacuna significativa na integração desses profissionais ao ambiente corporativo. Em resposta a essa realidade, o governo brasileiro sancionou, em outubro de 2024, a Lei nº 14.992, que promove a inserção de pessoas com TEA no mercado de trabalho. Essa legislação determina a integração do Sistema Nacional de Emprego (Sine) com o Sistema Nacional de Cadastro da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (SisTEA), facilitando a intermediação de vagas de emprego e contratos de aprendizagem para autistas. Além disso, a lei exige que o Sine adapte sua infraestrutura e equipe às normas de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Apesar dos avanços legislativos, a inclusão efetiva de profissionais autistas ainda enfrenta desafios consideráveis. Muitas empresas não consideram o autismo como uma deficiência para fins de cumprimento da Lei de Cotas (Lei nº 8.213/91), que exige a contratação de pessoas com deficiência em empresas com mais de 100 funcionários. Essa percepção equivocada contribui para a baixa empregabilidade de autistas e reforça estigmas que dificultam sua inserção profissional.
A inclusão de profissionais autistas no mercado de trabalho não é apenas uma questão de justiça social, mas também uma oportunidade para as empresas se beneficiarem de talentos únicos. Pessoas com TEA frequentemente possuem habilidades notáveis, como atenção aos detalhes, pensamento lógico e alta capacidade de concentração, que podem agregar valor significativo às organizações. Para que essa inclusão aconteça de maneira efetiva, é essencial que as empresas adotem medidas concretas, como a sensibilização e o treinamento dos colaboradores, a adaptação do ambiente de trabalho e a criação de processos seletivos mais inclusivos, que considerem as particularidades dos candidatos autistas.
Além disso, é fundamental que o poder público, em parceria com o setor privado e organizações da sociedade civil, continue promovendo políticas e iniciativas que incentivem a contratação de profissionais autistas, garantindo-lhes igualdade de oportunidades e condições de trabalho dignas. Acredito que a construção de um mercado de trabalho mais justo e equitativo passa pela valorização das diferenças e pelo reconhecimento do potencial de cada indivíduo, independentemente de suas particularidades. Neste Dia Mundial da Conscientização do Autismo, conclamamos todas as empresas e entidades a se unirem nesse esforço coletivo para transformar a realidade dos profissionais autistas no Brasil. A inclusão é um compromisso de todos nós!
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Foto da Capa: Marcelo Camargo / Agência Brasil