Como integrante do coletivo Porto Alegre Inquieta, muito me satisfaz perceber as transformações que o grupo vem conquistando ao longo dos anos — um coletivo formado por cidadãos que têm no voluntariado o seu norte, na cultura cidadã a sua premissa e no desenvolvimento sustentável o seu horizonte.
Somos um grupo que demonstrou resiliência em tempos desafiadores: atravessamos a pandemia, duas eleições presidenciais e a maior enchente desde 1941. Surgimos valorizando a economia criativa e, desde então, temos escrito um importante capítulo da história recente de Porto Alegre, atuando na inovação social e promovendo um intercâmbio de conhecimento próximo ao modelo de Medellín, cidade referência em urbanismo social.
Nosso trabalho se baseia, sobretudo, na construção de pontes entre diferentes atores da cidade — aproximando universidades, poder público, empresas e organizações da sociedade civil dos desafios característicos dos territórios populares.
Projetos como o Escuta que Faz possibilitam, com o perdão do trocadilho, uma escuta mais atenta e empática das comunidades, especialmente em temas urgentes como a saúde mental.
O Cidade Aberta, resultado de dezenas de reuniões, oficinas, rodas de conversa e estudos, também se faz presente, colaborando atualmente na construção metodológica do programa Territórios Inovadores, junto ao Pacto Alegre.
Outro exemplo é o Congresso Popular de Educação para a Cidadania (CPEC), iniciativa que leva para as escolas municipais as rodas de conversa — marca registrada do Porto Alegre Inquieta — e estimula o protagonismo estudantil e o pensamento crítico sobre cidadania e democracia.
Esses três projetos formam a tríade da transformação social que acreditamos: a valorização da cultura cidadã, o engajamento comunitário e a escuta qualificada dos moradores. A partir desses pilares, ativamos processos de desenvolvimento econômico e social que, passo a passo, se consolidam como viáveis e sustentáveis aos olhos da própria comunidade.
Há inúmeros outros exemplos que poderiam ser citados — ações que compõem o mosaico colaborativo de Porto Alegre, um movimento que se renova continuamente desde os anos 1990 e que, como as ondas, recolhe-se e retorna com mais força, como agora.
O futuro da nossa cidade é promissor. O reconhecimento de que a inovação social é um diferencial estratégico a ser desenvolvido e estimulado é cada vez mais evidente.
Como coletivo, inspiramo-nos nos movimentos do Sul Global e nas suas periferias urbanas para mostrar que democracia, justiça social e decolonialidade podem — e devem — ser construídas de baixo para cima.
Cleiton Chiarel é cientista político, diretor do INSPE, chefe de divisão na diretoria técnica da Superintendência de Ensino Profissional do RS e articulador do Spin de Economia Criativa do POA Inquieta.
Todos os textos de membros do POA Inquieta estão AQUI.
Foto da Capa: Congresso Popular de Educação para a Cidadania / Juliana Cupini / Divulgação

