Começou mais um agosto. E, para confirmar a fama de mês das más notícias, não começou tão bem como esperavam Lula e seus apoiadores. Isso, apesar da ajuda da dupla Eduardo Bolsonaro/Paulo Figueiredo, que armou, com muitas mentiras, o canhão de Donald Trump contra os empregos aqui no Brasil e permitiu que Lula tirasse do armário a sua velha bandeira de defesa dos trabalhadores.
Pesquisa Datafolha divulgada no sábado (2) mostra que 40% de 2004 brasileiras e brasileiros maiores de 16 anos ouvidos nos dias 29 e 30 de julho consideram o governo Lula III ruim ou péssimo. Os que consideram a gestão petista boa/ótima são 29%.
Outros 29% ficam em cima do muro, consideram regular o atual governo e podem ser contabilizados como convém a cada um dos grupos. Os não lulistas – bolsonaristas na maioria – podem puxar para o seu lado do muro esses 29%… Mas apoiadores de Lula também podem dizer que regular não é ruim…
E este agosto tem data marcada para mostrar a sua cara de mês do cachorro louco, como dizem alguns: a próxima quarta-feira, dia 6. Em 48 horas, podemos ter más notícias tanto para Lula quanto para os Bolsonaro. O intempestivo e imprevisível Donald Trump tanto pode recrudescer como pode recuar na sua chantagem para livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro da cadeia por tentativa de golpe.
Nos próximos dois dias, vamos ver se Trump se deixa influenciar mais por um obscuro jornalista (que responde a vários processos e até já esteve preso por corrupção) e um deputado que abandonou o mandato para atuar contra o próprio país ou pela pressão de empresários e cidadãos norte-americanos contrários à taxação de produtos que vai provocar inflação lá no país deles.
Na quinta-feira, 31 de julho, num tribunal em Washington, empresários e uma dúzia de autoridades foram denunciar aos juízes que Trump não tem autoridade para impor as tarifas que está aplicando em todos os produtos importados pelos Estados Unidos e, especificamente, as taxas aplicadas contra exportações do México, do Canadá e da China.
Segundo as alegações dos empresários e das autoridades, a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional não garante ao presidente o poder de aplicar tarifas indiscriminadamente. É nessa lei que Trump baseia a chantagem comercial contra o Brasil. Com um agravante a favor de Brasília: a lei foi criada para aplicar em situações em que os Estados Unidos são deficitários. Na relação com o Brasil, o país de Trump é superavitário…
Como Donald já disse e desdisse tanta coisa desde que assumiu, tudo pode acontecer até depois de amanhã. Inclusive não acontecer nada… Até lá, vamos ver se o presidente dos Estados Unidos vai mesmo taxar as frutas e a carne brasileira e ver aumentar os preços do breakfast e do hambúrguer ou vai dar outra recuada, incluindo carne e frutas na já extensa relação de isenções ou adiando de novo a entrada do tarifaço em vigor.
Qualquer recuo (o que eu acho bem provável) é bom para Lula e ruim para os Bolsonaro. Para Trump, tanto faz. Ele já jogou para ajudar seu amigo Jair, proibindo o ministro Alexandre de Moraes de usar cartões de crédito Visa e Mastercard… Agora, pode jogar para dizer que está protegendo empresas norte-americanas que sofreriam reflexos do tarifaço contra o Brasil.
E o Eduardo Bolsonaro, quem sabe, vai voltar a ser chapista de hambúrguer com carne brasileira em algum fast food por lá…
Aí, quando setembro e novas pesquisas vierem, vamos ver o que o povo estará pensando.
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Foto da Capa: Lula (Fábio Rodrigues Pozzebon/Agência Brasil); Bolsonaro (Tânia Rêgo/Agência Brasil).

