Nada tem só dois lados; moeda rola, papel tem gramatura e escolhas são infinitas. Há momentos que nos colocam diante não só de opções, mas de emoções variadas e, inclusive, paradoxais. São nesses momentos que as borboletas nascem no estômago, o suor é frio e o que era certo, não é mais. Esse texto escrevo assim, em conflito, mas convicto… e com pressa, porque, das coisas, geralmente escolho um dos lados que me dão mais trabalho.
Este é meu último texto como editor do espaço do Coletivo POA Inquieta na SLER. A inquieta Isabel Kristin passa a ser a responsável logo após o nosso recesso de fim de ano. Seguirei escrevendo, ainda mais esporadicamente, mantendo um saudável hábito pessoal e profissional. Foram quase dois anos de diversão, convívio prazeroso, desafios, leituras e crescimento pessoal. Fui feliz enquanto editava e sair me deixa bastante triste e cheio de alegria.
É uma situação que adoro, o caos é um aditivo de deleite em mim. Não acredito no controle ou separação de sentimentos; quanto mais confuso, mais verdadeiro. Lamentar uma situação assim, de algum tipo de ruptura, é saber que algo te fez bem, mas que tem algo que te fará melhor. Nesse caso a escolha foi minha, ajuda bastante, mas existe igual prazer e dor no respeito às conclusões das situações que não controlamos.
Precisei eliminar tarefas, abrir espaço no cotidiano. O próprio processo de escolha do que fazer e deixar de fazer já me anima. Olhar a mesa cheia e organizar os caminhos que preciso, misturados com os que gosto. Quando comecei, inclusive, foi igual: feliz por começar e apavorado por… começar. Nunca me impediu. O medo faz pensar, mas não define.
Pela Isabel seguir na edição, é só coisa boa… Talvez uma pitada de inveja, afinal é ela que vai viver nesse grupo de colegas amigos instigantes. Ela coloca o coração no que faz, constrói pontes e tem a dinâmica que a função exige. Espero que o trabalho a faça feliz, como estou hoje.
Se permitir sentir sem julgamentos é caminho sem volta para a compreensão da natureza humana. Somos orientados a não sermos nós mesmos desde o nascimento e, pior, que nos descobriremos como “pessoas” se adorarmos alguém, fazendo o que eles fizeram, seguindo os seus caminhos, suas doutrinas e ensinamentos. Uma garantia de que seremos eles, não nós. O que precisamos, temos; e ler mentes provocantes e criativas como são as dos colunistas das SLER, acho que facilita muito o processo de viver. Sugiro!
André Furtado é, por origem, jornalista; por prática, comunicador, de várias formas e meios. Na vida, curioso; nos Irmãos Rocha!, guitarrista. No POA Inquieta, articulador do Spin Música.
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