Por que será que é tão comum entendermos amor romântico como sinônimo de “eu sou para ti e tu és para mim”, e pronto?
Como cadeados trocados, sem chaves, trancamos nossas vidas um pela do outro porque entendemos que isso é união e que assim tudo funcionará.
Até que percebemos o óbvio: o enjaulamento foi de alguma parte de cada um de nós que não mais se liberta e que só se magoa.
E que dessa mágoa nem sempre surge compreensão. Bem ao contrário. Ela só cresce. Até que um deixa de reconhecer o outro em sua inteireza, porque parte de ambos já se esvaiu na tentativa de um contentar o outro.
Já disse Camões que amor é estar-se preso por vontade. Não discordo. A questão é que a prisão, às vezes, não é nossa. Não é da nossa vontade. É o aprisionamento que nós fazemos do outro por acharmos que ele tem esse interesse tanto quanto nós.
E quando o que nasceu paixão, aumentou e se mostrou amor, passa a sufocar, torna-se cárcere em ditadura enevoada.
Revela-se por gritos abafados, que não se consegue compreender. Fica solitário e torturante. Deixa de ser amor. Gruda na parede de uma cela de dor e ali risca o passar dos dias. Não os que se passaram. Mas os que deixaram de existir.
Mildred Lima Pitman - sou Mulher, Mãe, Advogada. E agora, na maturidade, venho buscando, por meio da escrita, uma melhor versão de mim mesma.
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