1- Na política argentina as coisas se movem com velocidade.
2- Aproximam-se as eleições de meio-termo, em que se renovam parte dos deputados e senadores.
3- Para obter uma vitória significativa, o governo vem intervindo em tudo: números da inflação, cotação do dólar, declarações dos jornalistas.
4- A virulência espanta. Mesmo a um brasileiro.
5- Me espanta também a cobertura dos fatos argentinos pela imprensa brasileira. O retrato pintado é tão diferente da realidade que se vive aqui que me preocupa o quanto podemos saber de tudo que nos chega de segunda mão.
6- O louvor aos números da macroeconomia máscara muitas coisas, que parecem prestes a explodir.
7- Mas tudo muda rápido e pode ser que nada aconteça.
8- O amor ao dólar e à fantasia de um peso forte toca a alma de qualquer argentino que tenha um canuto, uma reserva. Viajar como se estivessem bem é um feroz apelo.
9- Ademais, a oposição, sem a figura de sua rainha presa, patina em encontrar um nome que possa fazer frente ao oficialismo.
10- No fim de semana estourou um escândalo de supostas propinas e subornos, envolvendo a cúpula do governo, inclusive a irmã do presidente.
11- Tudo muda velozmente. Por ora, parece haver uma vitória segura da situação.
12- Tudo aqui é por ora. Nosso sangue latino sabe.
13- Talvez isso explique nossa resistência. Talvez isso explique como se pode suportar também a situação daqueles que têm menos ou quase nada e que sempre pagam pelos ajustes.
14- Dizer coisas caducas e inermes. Eis uma sina.
15- E agora de volta às notícias e à abertura do mercado.
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Foto da Capa: Reprodução de Redes Sociais

