1 – A burocracia não se restringe nem mais aos humanos. Eu sabia, mas tinha esquecido, que os bichos também precisam de passaportes, certidões, carimbos.
2 – Não será uma surpresa robôs carimbadores. As máquinas costumam ser espelhos de nossas obsessões.
3 – Se uma mulher fala várias vezes sobre a mesma coisa, é porque quer a tal coisa. Parece óbvio e simples, mas os dias são agitados, a atenção vive à deriva. É propício, como diria o I Ching, captar o que os ouvidos recebem.
4 – Falta um código de barras do vermífugo.
5 – A alegria da fiscal da SENASA, o MAPA do Brasil. Ligação para a veterinária, mais uma taxinha esperta. As gatas têm mais dificuldade de cruzar a fronteira que foragidos da Interpol.
6 – Devia ter lido com mais calma as implicações do sete e do nove no hexagrama.
7 – Ou talvez nos prognósticos de um congelamento no valor do câmbio.
8 – Há épocas em que o foco não afina nunca sobre um ponto.
9 – É um campo, um latifúndio, uma sesmaria.
10 – Depois de um trâmite longo, soa o carimbo agudo e grave ao mesmo tempo. O som da permissão.
11 – Esta permissão é que fundará robôs.
12 – A gata na caixa de transporte não sabe de nada.
13 – Será que posso jogar as moedas oraculares por ela.
14 – Presta atenção, sou alertado.
15 – Depois que chega dezembro é mais difícil.
16 – Prometo prestar mais, e tento um sorriso.
17 – Dezembro é um involuntário perjurar.
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