09.09.2025. Três noves: dia, mês e ano (2+0+2+5 = 9). Final de ciclos, o aprendizado e o recomeço. O número 9 é grávido de algo novo e importante. Na Bíblia, remete à vida material na Terra, o fim de todas as coisas. Dante Alighieri fez o mais brilhante uso da simbologia do 9 com seu poema A Divina Comédia, metáfora da jornada espiritual da humanidade. Desde os 9 círculos do Inferno, passando pela árdua escalada em 9 etapas do Purgatório até alcançar os 9 círculos do Paraíso com a luz e a bem-aventurança. No alfabeto hebraico, tet é a 9ª letra, sua guematria (valor numérico) é 9 e, como primeira letra da palavra tov (bom, ótimo), representa o conceito do bem oculto que aguarda ser revelado.
Em 09.09.2025, foi lançado The Secret of Secrets, de Dan Brown, pela Penguin Random House, em 17 países de forma simultânea, com uma primeira impressão de 1,5 milhão de exemplares. O autor começou neste mesmo dia a turnê de divulgação do livro, em Nova York, e percorreu 12 países. Robert Langdon, o famoso professor de iconografia religiosa e simbologia de Harvard, protagonista dos suspenses de Dan Brown desde Anjos e demônios (2000) – ganhou notoriedade com O código Da Vinci (2003) – viveu os últimos momentos com o seu criador. Dan anunciou que Langdon fez sua última aventura, em Praga, a mais mística das cidades europeias. O professor nunca mais colocará no pulso seu relógio do Mickey Mouse, uma edição de colecionador, presente dos pais no aniversário de 9 anos, que usava para manter viva a criança em seu coração e não levar a vida tão a sério. Mas Dan Brown tem outro rato na manga.
O autor popularizou conceitos duros da física clássica e quântica, biologia, química, tecnologias aplicadas e códigos para mais de 250 milhões de leitores, em 52 idiomas. Trouxe a ciência para o cotidiano, com o subsídio poderoso dos mitos, símbolos e ritos. Desde Fortaleza Digital, em 1998, foi tornando-se um best-seller de divulgação científica. The Secret of Secrets exigiu sete anos de estudos e dedicação – Dan o considera a mais árdua empreitada da sua carreira, com um mergulho ainda mais profundo nos estudos, explorando a ciência noética e a consciência humana.
A cada sete anos, nosso corpo troca praticamente todas as células. Dan foi afinando delicadamente as suas no intervalo entre Origem, seu livro anterior, de 2017, e O Segredo Final. Aprendera a tocar piano clássico logo cedo na infância, cantava em corais e assistiu a inúmeros concertos, profundamente influenciado por sua mãe, Connie Brown, uma talentosa organista de igreja. Na juventude, escrevia músicas e chegou a se dedicar à carreira de compositor e cantor na Califórnia. Mas, apesar de toda a sua paixão, alguma coisa não fluía e ele se questionou se a vida não estava lhe mandando um recado.

Na infância, tinha desenvolvido também um fascínio por ciência e religião. Dan foi criado no campus da Phillips Exeter Academy, uma escola preparatória para as mais disputadas universidades dos Estados Unidos, onde seu pai, Dick Brown, lecionava matemática. Seu aprendizado seguira a filosofia Harkness, modelo que prioriza a troca de ideias entre alunos e professores, com foco na colaboração e no debate. Graduou-se em língua inglesa e escrita criativa e estudou também História da Arte na Universidade de Sevilha, na Espanha.
Com essa bagagem, decidiu mudar o rumo e encontrou um caminho na literatura – afinal, aos cinco anos de idade, ditara para a mãe uma história, que ela a transcreveu e imprimiu, e ele a guarda carinhosamente até hoje: The giraffe, the pig and the pants on fire (A girafa, o porco e as calças em chamas). Tornou a música, então, o seu refúgio. “A música foi um santuário secreto para mim. Ela me acalmava quando eu ficava frustrado, era uma amiga fiel quando eu me sentia solitário, me ajudava a expressar alegria quando eu estava feliz e, o melhor de tudo, despertava minha criatividade e minha imaginação. Até hoje toco piano todos os dias – normalmente ao fim de um longo dia escrevendo”, revela.
No próximo capítulo veremos como nasceu Wild Symphony (Sinfonia selvagem).
Todos os textos de Vera Moreira estão AQUI.
Fotos: Dan Brown / Wild Symphony

