Katherine Solomon, proeminente cientista e intelectual, é a personagem de O segredo final com quem o professor Langdon se envolve amorosamente, depois de muitos anos de amizade. Eles se conheciam desde O símbolo perdido, o thriller de Dan Brown que vendeu 1 milhão de exemplares só no dia do lançamento, em 2009. Ela é irmã de Peter Solomon, grande amigo e mentor de Langdon, um maçom, filantropo, que montou um laboratório para Katherine explorar a ciência noética, onde ela conta com a ajuda de uma analista de metassistemas – tecnologia que cria modelos de dados para serem aplicados em diversas áreas – para transformar o estudo da noética. “Um metassistema. Uma entidade única definida pela soma de suas partes. O corpo humano, por exemplo, é constituído por milhões de células individuais, cada qual com atribuições e finalidades diferentes, mas funciona como uma entidade única”, explica a analista para Katherine, ao que a cientista aquiesce, animada: “Como um bando de pássaros ou um cardume que se move como se fosse uma coisa só. Nós chamamos isso de convergência ou entrelaçamento.”
Em O segredo final, o professor Langdon vai a Praga, na República Tcheca, para assistir à palestra de Katherine sobre o livro que está prestes a publicar. Desde O símbolo perdido, ela vinha documentando suas pesquisas sobre a natureza da consciência humana. O detalhe basal da trama é que o livro da cientista está na mira da poderosa CIA (Central Intelligence Agency). Todos nós sabemos, ou no mínimo já ouvimos falar, o que é a CIA: o serviço civil internacional de inteligência do governo dos Estados Unidos, que recolhe informações de fontes físicas e tecnológicas sobre ameaças à segurança do país.
Como em todos os livros de Dan Brown, a informação é um atrativo que ele explora, prazerosamente, em abundância. Desde os estudos científicos e revelação de documentos, até clipping de assuntos espinhosos e detalhes sobre lugares inusitados e pontos turísticos das cidades onde se desenvolvem. Em O segredo final, Dan investiga o aprofundamento dos programas Psicotrônica, dos russos, e o Stargate, dos norte-americanos, precursores da ciência noética moderna. “Gosto de escrever thrillers que ensinem, porque eu gosto de aprender. E acho meu trabalho bem-sucedido se o leitor nem perceber que há um ensinamento, se ele for sendo surpreendido a cada virada de página, ficando fascinado, indagando-se ‘sério isso?’”, comenta o autor.
Ele explica que, para os noéticos, a consciência não é criada pelo cérebro, ela é um aspecto fundamental do universo – comparável ao espaço, ao tempo ou à energia – e não fica sequer localizada dentro do corpo. Isso aclara alguns entendimentos, como um déjà-vu e a precognição, ou o “sexto sentido”, entre outros. Katherine Solomon – especula-se que tenha sido inspirada na diretora do Instituto de Ciências Noéticas (IONS), sediado na Califórnia, na vida real – descreve um experimento: “O cérebro de um sujeito reage antes mesmo que um computador escolha qual imagem irá lhe exibir. Parece incrível, mas é baseado em pesquisas científicas reais.”
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Foto de capa: Gerada por IA.

