O Instituto de Ciências Noéticas (IONS) foi fundado, em 1973, na Califórnia, EUA, pelo astronauta Edgar D. Mitchell (1930 – 2016), dois anos após aposentar-se da NASA (National Aeronautics and Space Administration). Mitchell foi o sexto homem a caminhar na superfície da Lua durante a terceira missão lunar tripulada, a Apollo 14. Passou 33 horas no nosso satélite junto com Alan B. Shepard, o primeiro americano no espaço em 1961. Mitchell disse que, ao observar a Terra do espaço, experimentou uma epifania, que o guiou a buscar respostas mais profundas sobre a compreensão humana da vida, do universo e da consciência. Percebeu a imensa beleza e fragilidade da Terra e a necessidade de abrir novos caminhos na ciência, com investigação de fenômenos paranormais e mesmo de vida extraterrestre.
Assim, fundou o IONS com o objetivo de “expandir o conhecimento sobre a natureza e os potenciais da mente e do espírito, aplicando esse conhecimento para promover a saúde e o bem-estar da humanidade e do nosso planeta”. A palavra “noético” vem do grego antigo nous, que pode ser traduzido aproximadamente como “conhecimento interno” ou “consciência intuitiva”.
No IONS, são conduzidos experimentos reconhecidos como estudos de pressentimento. Utilizando medidas fisiológicas sensíveis, pesquisadores já demonstraram que o corpo humano pode responder a eventos futuros centenas de milissegundos, ou até segundos, antes que eles ocorram. A frequência cardíaca, a condutância da pele, a dilatação da pupila e a atividade cerebral, com frequência, mudam antes de estímulos emocionais serem selecionados aleatoriamente do conjunto de estímulos possíveis.
Nas primeiras entrevistas sobre seu novo livro, O Segredo Final, Dan Brown enfatizou: “Quando Katherine e Robert falam sobre um experimento que prova que a precognição é uma realidade, quero que o leitor saiba que isso realmente aconteceu”. Nos agradecimentos, o autor declara sua “admiração e gratidão às mentes notáveis que compõem o Instituto de Ciências Noéticas. Obrigado pelo seu trabalho importante e esclarecedor.”
Nas explanações sobre essa “nova” teoria da consciência humana – na verdade, a ciência mais antiga do mundo, apenas mais explorada pelas lentes da religião –, a cientista Katherine diz que é cada vez mais sustentada por descobertas em diversas áreas, como a física de plasma, a matemática não linear e a antropologia da consciência. “Conceitos novos, como a superposição e o entrelaçamento quânticos, estavam desvendando um universo no qual todas as coisas existiam a todo o momento em todo o lugar. Em outras palavras, a natureza de nosso universo era unificada ou, como havia descrito tão bem o título de um filme recente ganhador do Oscar: “Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo”. O cérebro não cria a consciência, mas sente aquilo que já existe à sua volta; o cérebro sintoniza o que já existe.”
Se não acessamos a totalidade da consciência, é porque nossas mentes estão excessivamente condicionadas e barulhentas. O filme a que Katherine se refere, de 2022, escrito e dirigido por Daniel Kwan e Daniel Scheinert, é altamente simbólico com a pancadaria desmesurada por meio das artes marciais. Essa prática milenar vai muito além da luta, tendo por filosofia o desenvolvimento integral do indivíduo por meio do equilíbrio entre corpo, mente e espírito – na banalização, o filme deu o tom da violência estrutural a que estamos submetidos. É uma sátira muito bem construída e interpretada (levou sete Oscars), que vai promovendo reflexões sobre a nossa vida hiperconectada no exterior e desconectada de dentro, turbulenta, perdida do silêncio, violenta em tantos sentidos. Uma visão caótica de nossa realidade, mas que acaba abrindo espaço para uma compreensão profundamente amorosa, pois, mesmo que não estejamos atentos, ainda intuímos ser o que mais precisamos.
Rumi, o grande poeta sufi, já disse que “o astrolábio dos mistérios de Deus é o amor”. Na antiguidade, o astrolábio era um instrumento para medir a posição dos astros. Rumi fez essa bela metáfora para mostrar que o intelecto pode descrever o mundo, mas só o amor nos permite navegar pelo conhecimento mais profundo e espiritual.
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Foto da Capa: Wikimedia Commons

