Desde os primórdios das civilizações, a comunicação ocupa um lugar central na vida humana. É por meio dela que hábitos, valores, saberes e modos de viver atravessam gerações, conectando tempos, pessoas e experiências. Graças a isso, o Comunicar para não esquecer enfatiza o quanto o registro constrói o futuro. Até hoje, pesquisadores recorrem a registros escritos, imagens, objetos e relatos para compreender como viviam aqueles que nos antecederam — e como essas experiências seguem impactando nosso cotidiano.
O que se sabe sobre aqueles que vieram antes de nós só existe porque alguém escutou com atenção, registrou falas, preservou vestígios e compartilhou histórias. Escritos, imagens, objetos e relatos seguem sendo pontes entre o passado e o presente — e são eles que nos ajudam a compreender como essas vivências continuam influenciando a forma como vemos, como pensamos, agimos e projetamos o amanhã, sob o ponto de vista científico, social e humano, entre outros.
Em tempos atuais, marcados pela urgência de mudanças efetivas, pela busca de mais equidade, justiça social, bem-estar e desenvolvimento sustentável — e, sobretudo, pelo combate à desinformação e às fake news —, torna-se indispensável um cuidado ainda maior com os processos de comunicação. Comunicar não é apenas informar: é narrar quem somos, o que fazemos e por que fazemos, permitindo que a escuta ativa gere sentido, pertencimento e resultados coletivos.
Quando cidadãos se organizam em coletivos, públicos ou privados, comunicar-se bem é também um exercício de memória. É a chance de nos “relembrarmos”, de nos “narrarmos” e, sim, de nos tornarmos visíveis, para que aquilo que é construído em conjunto não se perca no tempo.
Estudos sobre qualidade de vida apontam que muitos saberes antigos — relacionados à cura, à alimentação, ao lazer, ao cuidado com o outro e com o ambiente… — continuam absolutamente atuais. Esses conhecimentos, muitas vezes transmitidos de geração em geração, ainda hoje podem contribuir para uma vida mais saudável, equilibrada e sustentável.
Parafraseando César Paz, em reflexão recentemente publicada no espaço do POA Inquieta na plataforma Sler (14/1/2026):
“Em tempos de urgência climática, social e democrática, talvez o maior avanço não esteja em soluções complexas ou altamente tecnológicas, mas em algo profundamente simples e radical: sentar em roda, escutar com atenção e construir juntos.”
Essa proposição é poderosa. Mas ela se completa quando o que é vivido nas rodas — ou em outras formas de diálogo — é registrado. Atas, relatos, fotos identificadas, registros audiovisuais e arquivos acessíveis são o que permitem que essas experiências sejam revisitadas, estudadas, avaliadas e compartilhadas no futuro.
A comunicação escrita, nesse sentido, é um pilar fundamental para o sucesso pessoal, institucional e coletivo. Ela garante clareza, precisão e permanência das informações; evita ruídos e ambiguidades; fortalece o pensamento crítico; permite comunicação à distância; e constrói o histórico de programas, projetos e ações. Mais do que isso, transmite ética, organização e compromisso com o bem comum.
Escrever é dar forma ao pensamento. É permitir que ideias, conceitos e sentimentos atravessem o tempo e o espaço, apoiem pesquisas, inspirem decisões, indiquem caminhos, revelem tendências — ou sinalizem a necessidade de rever rumos.
Toda organização, formal ou não, precisa manter seus integrantes informados, conectados e engajados. Para isso, é essencial dispor de mecanismos simples, frequentes e acessíveis: boletins, resenhas, relatórios, redes sociais, canais de vídeo, plataformas digitais. Cada meio tem seu papel — e todos ganham sentido quando alimentados de forma colaborativa.
A Sler é um exemplo potente desse espaço de registro e reflexão. Ao aproximar escritores e leitores, a plataforma amplia olhares, rompe bolhas, compartilha sentimentos e constrói conhecimento coletivo. Nada disso seria possível sem a presença ativa de quem escreve, lê, comenta e compartilha.
Entre os registros mais significativos de uma entidade estão, também, os livros comemorativos. Eles funcionam quase como uma prestação de contas à sociedade — e, ao mesmo tempo, como um legado. Mas nenhum livro se constrói sozinho. Ele nasce da soma de memórias, relatos, imagens, depoimentos e experiências individuais e coletivas.
Por isso, deixo aqui um convite especial. Aos leitores da Sler e, em particular, aos inquietos que ocupam este espaço todas as quartas-feiras: vamos aprofundar e disseminar conhecimento. Vamos atender ao projeto proposto pela editora do espaço POA Inquieta na Sler, a inquieta Isabel Kristin, apresentado na publicação de 7 de janeiro de 2026.
Também convidamos todas as pessoas que possuem registros — escritos ou visuais — sobre ações, eventos, programas e projetos do Coletivo POA Inquieta, no período de 2017 a 2026, a compartilhá-los conosco. Esses materiais serão fundamentais para a construção do Livro Comemorativo dos 10 anos do POA Inquieta.
Será mais uma oportunidade de dar visibilidade a feitos, autorias, parcerias e impactos. Participar ativamente da comunicação, colaborar com o registro e promover a difusão de práticas educativas, culturais, sociais, econômicas e cidadãs é um gesto de responsabilidade com o presente e de compromisso com o futuro.
Contar a história de uma caminhada construída em diálogo, escuta e compromisso, com uma Porto Alegre mais inclusiva, criativa, sustentável e democrática, contribui, incisivamente, com o que aprendemos e juntos criamos as bases para que outras gerações sigam construindo novos caminhos.
Porque o que não se registra, se perde.
E o que se registra permanece — inspira e transforma presente e embasa futuros.
Rita Maria Silvia Carnevale é integrante e articuladora do POA Inquieta. Licenciada em Física e Mestre em Administração de Empresas. Integrantes de uma geração em extinção. Estudiosa das aplicações da Quântica, integrando o FOTON – Instituto de Ciências e Tecnologias Quânticas. Pesquisadora. Integrante do COMCET – Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia (1996 –). Integrante da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso das Ciências – Sociedade Científica (1966 –). Ex-assessora do Projeto Pescar quando de sua criação (1976 – 1978) e participação da revisão inicial da proposta do Projeto na Fundação (2000/2011). Mentora dos aprendizes do Pescar, junto à Procempa (2022 –). Consultora e assessora de entidades públicas e privadas (1980 –) em Educação e Gestão humanizada de entidades, com propósito de melhorias contínuas e inovação social. Integrante do Rotary Club Glória/Teresópolis. (2025–)
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