Ontem eu falava, com uma das minhas filhas, sobre energia cósmica, astrologia, física quântica, fluxo do universo.
Creio que todos os seres vivos estão conectados entre si e com a força (Deus) que é o maestro dessa orquestra infinita.
Vivo, todos os dias, tendo provas que me levam a jamais duvidar do que acredito.
E sempre acreditei.
Sou fortemente ligada a qualquer manifestação da vida e da natureza.
Penso que todos que aqui habitam ensinam e são ensinados a evoluir e não acredito em coincidências.
Acredito nesses fios que unem as vidas por alguma razão.
Assim foi há 15 anos, voltando de uma corrida na beira da praia de Xangri-lá.
Não estava habituada com a cidade, alugávamos uma casinha simples, distante várias quadras da areia, quase na estrada.
Meu senso de localização sempre foi um bocado ruim e fiquei, aparvalhada, suada e bronzeada, tentando encontrar a nossa rua em um lugar em que todas as ruas são iguais.
Entrei naquela que me pareceu familiar e fui olhando as casas.
Era a rua “errada”.
Lá no final da quadra avistei, no meio dos paralelepípedos, um ser diminuto, cinza e meu coração apertou.
Quando cheguei perto, vi uma massinha peluda, molhada (chovia todos os dias), feia e com uma barriga que carregava uma dezena de parasitas.
Peguei no colo, olhei para o lado e tinha um rapaz sentado dentro do pátio, assistindo à cena.
Pensei com o meu coração, não com o outro pulsando (mas não sentindo nada) em um corpo sentado em uma cadeira de praia, e perguntei se era dele o trapinho molhado, pois seria possível ele ver aquele animalzinho semimorto na frente da sua casa e ficar assim indiferente? Sim, seria.
Fomos direto à veterinária, que nos avisou:
“Ela tem uns dois meses, está hipotérmica, anêmica, cheia de vermes, carrapatos, pulgas e bicho de pé. São tantos que vou ter que anestesiar para retirar e a chance dela
sobreviver é mínima”.
Sobreviveu a minha Frida e, nossa, como me ensinou sobre força, resiliência, amor, gratidão pela vida.
Virou livro infantil, disputado pelas crianças da biblioteca do Colégio João Paulo.
Foi desenhada, emoldurada e pendurada na parede da cozinha.
Tornou-se meu exemplo de que, por pior que possa parecer, não devemos desistir.
Minhas trocas com Deus estão longe das igrejas, estão no que aprendo com Suas criações.
E desígnios.
E para quem fica na sua cadeirinha de praia, apenas “veraneando”, vendo a vida passar sem sentir, se importar?
Desejo luz.
Mônica Becker Dahlem é publicitária, jornalista, escritora. Barbara, Frida, Caderno Literário Ajuris, Casos de Sucesso SEBRAE.
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Foto da Capa: Freepik

