Fiz uma pausa necessária. Decidi que Agosto, mês do meu aniversário, seria tempo de reflexão e de mudanças de hábitos. Até dei uma cor ao meu mês: violeta, cor fortemente associada à transmutação e à espiritualidade. Muitas vezes preciso parar e afinar a sintonia entre corpo, mente e espírito.
Hoje, volto com as crônicas semanais e quero compartilhar algo que experimentei neste “mês sabático” e que teve grande impacto no meu bem-estar físico e mental.
Você já parou para pensar nos verbos que conjuga ao longo do dia? Eu já tinha me esquecido de quantos poderiam caber em vinte e quatro horas. Começo pelo pretérito imperfeito do verbo navegar: estive navegando. Ele dá o tom desta conversa.
Assumo a ousadia de desconstruir a genial sutileza de uma frase de Fernando Pessoa, apenas para guiar estas linhas. O poeta dizia: “navegar é preciso, viver não é preciso”, usando “preciso” em duplo sentido — a necessidade da navegação e a exatidão com que é feita, em contraste com a incerteza da vida.
Eu, porém, digo: “navegar não é preciso, viver é preciso”. Sem duplo sentido. Porque a navegação a que me refiro, além de desnecessária, tem nos deixado à deriva. E esse é o princípio desta história.
Talvez, para você, leitor — adulto, maduro, culto e coerente —, o que vou dizer soe como bobagem adolescente. Mas eu, no alto da minha “madurescência”, estava desconfortável com as horas gastas navegando sem rumo pela tela do celular. E não conseguia parar. Entrava para fazer um pagamento e, quando percebia, já estava rolando a tela automaticamente.
Aqui entra um segundo verbo: procrastinar. Eu ficava procrastinando. Navegando e procrastinando.
Basta! Desinstalei os aplicativos de redes sociais para ter tempo de conjugar outros verbos. Isso foi no primeiro dia de Agosto.
De lá para cá, visitei lugares novos sem a preocupação de tirar fotos. Comi sem o celular na mesa. Dormi melhor e acordei sem o impulso de pegar o aparelho. Li dois livros ótimos. Ouvi podcasts inspiradores. Conversei com amigos sem já saber de antemão o que iriam contar. Assisti a documentários interessantes. E meditei um pouco todos os dias, visualizando a luz violeta.
E sabe o que mais? O mundo continua igual. Ninguém sentiu minha falta. E nem eu a deles. Descobri que a vida é muito maior do que essa prisão virtual em que, voluntariamente, nos colocamos.
Eu desconecto
Tu desconectas
Ele/ela/você desconecta
Nós desconectamos
Vós desconectais
Eles/elas/vocês desconectam
E quando desconectamos, finalmente nos reconectamos com a vida.
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Foto da Capa: Freepik

