A dança da luz (VM)
Ji hokkai
A luz e seus veículos
Corpos, lâmpadas
Ri hokkai
Luz una
Totalidade da consciência
Sou a consciência ou o veículo da consciência?
Sou este corpo, veículo de luz, ou sou a própria luz?
A lâmpada quebra, há Outras
O essencial na lâmpada é a dança da luz
Brejo da Cruz (Chico Buarque)
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A novidade / Que tem no Brejo da Cruz / É a criançada / Se alimentar de luz / Alucinados / Meninos ficando azuis / E desencarnando / Lá no Brejo da Cruz / Eletrizados / Cruzam os céus do Brasil / Na rodoviária / Assumem formas mil / Uns vendem fumo / Tem uns que viram Jesus / Muito sanfoneiro / Cego tocando blues / Uns têm saudade / E dançam maracatus / Uns atiram pedra / Outros passeiam nus / Mas há milhões desses seres / Que se disfarçam tão bem / Que ninguém pergunta / De onde essa gente vem / São jardineiros / Guardas-noturnos, casais / São passageiros / Bombeiros e babás / Já nem se lembram / Que existe um Brejo da Cruz / Que eram crianças / E que comiam luz / São faxineiros / Balançam nas construções / São bilheteiras / Baleiros e garçons / Já nem se lembram / Que existe um Brejo da Cruz / Que eram crianças / E que comiam luz
O sonho
Era um lugar, misto de um parque com uma cidade pequena, e alguém me chamou para ver os anjos. Olhei para o céu e vi as nuvens que se mexiam e formavam asas fartas, puro algodão. Mas, então, a pessoa me disse: “Não… olha lá para cima do prédio, eles estão lá”.
Aí eu vi, bem no alto de um prédio em construção, os anjos. Eram muito jovens, rapazes de uns 17 anos, e estavam junto aos operários do prédio. Eram vários, estavam ali no meio de guindastes e vigas de madeira e pareciam trabalhar (anjos operários, eu pensei).
Tinham asas de penas marrons, como as dos pássaros. Eram asas grandes, que estavam na altura do estômago, nas costas, algumas bem na cintura. Aí, essa pessoa, que me chamou para vê-los (não sei quem era), me explicou que quando os anjos são crianças, as asas estão na altura das omoplatas e, quando crescem, as asas descem para a altura do estômago – ficam, assim, bem no meio do corpo para dar maior sustentação. Asas crespas, arrepiadas, extremamente realistas, como as de pássaros mesmo.
Primeiro um anjo tinha aparecido na pequena cidade, que depois já era uma cidade grande, parecia a Av. Paulista. Ele caminhava na avenida com as asas escondidas dentro da camisa branca, para que os transeuntes não as vissem. As asas iam apertadas e ele tinha um rosto redondo, a pele muito clara, olhos redondinhos, um menino de aparência tão inocente. E as asas pediam para respirar, pois se sentiam sufocadas, apertadas embaixo do pano.
Então, ele abriu alguns botões da camisa e as asas saíram um pouquinho para fora e uma pessoa viu, mas ele continuou caminhando e, depois, outras pessoas viram. Então, se soube que eram vários anjos e que estavam lá no topo do prédio.
Todos os textos de Vera Moreira estão AQUI.
Foto da Capa: Montagem digital VM

