
Chega dessa coisa de Oscar pra lá, Oscar pra cá. O maior e mais prestigiado prêmio do cinema da vida real nacional tem nome, e não é Oscar. O Troféu Valdemar homenageia os melhores e piores da canalhice, ou do combate a ela, em diferentes categorias. Confira a lista completa dos vencedores a seguir.
Melhor Elenco
• Depois do sucesso de Acampados no Quartel, 72 Horas e ET Help Me, os Bolsominions estrelam ao lado do Rei da Rachadinha em O Filho do Meu Malvado Favorito. Elenco espetacular que faz tudo sem dublê, de rezar pra pneu a se pendurar no caminhão e defender escala 6×1 e milionário, mesmo sendo CLT ou desempregado.
Melhor plot twist invertido
• Deputado caminhando contra a corrupção depois de voar no jatinho do preso por suspeita de liderar organização criminosa e obstruir investigações sobre fraudes financeiras bilionárias.
Melhor Ator Coadjuvante
• E deu empate entre os irmãos do dono do Tayayá Resort.
Melhor Atriz Coadjuvante
• A Peleleca.
Melhor Figurino
• Dona Sebastiana, encarnando a atriz Tânia Maria no editorial de moda da Revista Elle. Essa merece o Oscar, o Emmy e todo nosso respeito.
Pior cabelo, maquiagem, figurino, adereços bélicos e atitude.
• Deputada da tiara de flores de Santa Catarina.
Melhor Roteiro Adaptado Internacional
• The Pedo Files, adaptação censurada do The Epstein Files & Ilha da Pedofilia.
Melhor Roteiro Original
• … E o Master Levou, drama bancário com infinitas ramificações.
Melhores Efeitos Visuais
• São Pedro, pela chuva, raios e trovoadas na caminhada do Forrest Nikolas Gump.
Melhor Trilha Sonora
• Áudios recuperados do celular do Daniel Vorcaro.
Melhor Canção Original
• Fui no Tayayá, beber água e não achei.
Melhor Som
• Ar-condicionado da cela do Bolsonaro na Superintendência da PF em Brasília.
Pior Filme Internacional
• Dr. Strangehate, estrelando Donald TACO Cheetos Trump.
Pior Sequência Internacional
• A mais indesejada franquia: Trump 2, O Doloroso Retorno.
Pior Filme de Destruição
• Tocando o Terror, uma coprodução israelo-americana filmada e anunciada no mundo todo.
Melhor Documentário em Curta-Metragem
• Noivado de 21 milhões e breguice infinita.
Melhor Documentário em Longa-Metragem
• Ilegalmente Loiras, baseado na rede de cooptação de relacionamentos e tradwifes loiras, com menos de 30 anos, sem filhos e sem tatuagens. Faz parte da trilogia … E o Master Levou e O Lobo da Falialimel Stleet.
Pior e Mais Vergonhosa Montagem
• O Caso Maria da Penha, produzido pela “Em que mundo paralelo essa gente vive S/A”, usou um laudo adulterado de um exame de corpo de delito do ex-marido de Maria da Penha para descredibilizar a lei que leva o seu nome.
Melhor Animação Contagiante
• A torcida pelo filme brasileiro O Agente Secreto e tudo o que ele significa; pela memória, história e pluralidade cultural brasileira. E também pelos desaplaudidos defensores da ditadura que ficaram torcendo contra, mas não conseguem produzir um filme que seja indicado para o festival de cinema do jardim de infância do bairro.
Melhor Ator
• A cara de paisagem do Ciro Nogueira, “grande amigo” do Vorcaro.
Melhor Atriz
• O prêmio retroativo vai para a tornozeleira do Bolsonaro: silenciou ao ser queimada e viveu resignada, atada àquele corpo. Agora está preocupada em ter que voltar a atuar caso o indivíduo receba uma domiciliar.
Melhor Diretor
• Pra começar, é diretora, porque até agora isso tudo foi dirigido por homens, e olha a bagunça que virou. E o prêmio de melhor diretora vai pra Erika Hilton como presidente da Comissão dos Direitos da Mulher. Ela me representa e vai botar ordem nessa bagaça toda.
Melhor Filme
• Crepúsculo dos (Autoproclamados) Deuses. Estreando políticos, jornalistas, ministros e empresários em tramas e jogos de manipulação que podem ter resultados bastante perigosos, como diria o finado sicário. Durante a produção inicial, o título provisório era “Os Intocáveis”, mas casas começaram a cair.
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Foto da Capa: Gerada por IA.

