Trago em meu peito essa dor lancinante de não ser tu,
A quem escuto através da parede e invejo a festa interior.
– És o lado em que não estou, a escolha que nunca fiz –
Vizinho será sempre a prova do que não elegemos,
Quiçá também do que ousamos não querer.
– Há que se aprender o saber não querer –
Vem perturbar nosso sono com sua música,
Suas alegres e saudáveis crianças que não cessam.
– Vizinhos, para serem úteis, precisam parecer sempre felizes –
Porque vizinho é quem não sou, e só assim abro espaço para a tristeza,
Mas é também a prova de que existo, se ele puder me enxergar.
– A vontade de viver ao lado existe porque morar em mim já não basta.
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