Ah! Olha aqui, ô, não me levem a mal, mas esse Trump is a tramp!! Gritou ele, sob aplausos dos lulistas, o silêncio ensurdecedor dos contricantes bolsonaristas e protestos dos fãs de Sinatra, que imortalizou a lady da canção The lady is a tramp, presentes na mesa do jantar na quinta-feira passada.
Não comparem a lady do Frank com esses trumpbolsonaristas, nem com os lulopetistas, apartou o filósofo e jurista – antigo ganhador de concursos infantojuvenis de canto – e que se diz independente na polarização política nacional.
Vou lembrar só um verso da música pra mostrar que a tramp do Sinatra não tem nada a ver com o tramp da Casa Branca, disse ele e – até bem afinado – cantou à capela:
That’s why the lady is a tramp
She’ll have no crap games with sharpies and frauds.
Ou, em tradução de quem não canta nem, muito menos, compõe:
E é por isso que a dama é uma vagabunda
Ela não jogará com vigaristas e impostores…
É claro, né, retoma o provocador da discussão… A tramp do Sinatra é uma mulher independente, que não se prende aos padrões comportamentais da sua época. Quer dizer, é uma mulher mais livre.
E segue: já o trampismo (minha modesta contribuição para uma eventual lista de neologismos desta época de tantos, e melhores, neologismos) do Trump agasalha vagabundagem pura.
Do obscuro jornalista que, fugindo da polícia, se esconde nos Estados Unidos para, de lá, boicotar o país, ao medroso e despreparado deputado federal, eleito na sombra do pai, que abandona o mandato para articular, também desde os USA, manobras que podem fechar empresas e eliminar milhares de empregos e reduzir salários de muita gente no Brasil.
Mas salário e emprego são assuntos que não preocupam o deputado Eduardo Bolsonaro, do PL/SP. Outro dia, o pai dele, o ex-presidente Jair, contou que mandou R$ 2 milhões para ele “porque as coisas são muito caras nos Estados Unidos…”
Fácil para Eduardo viver assim e articular contra todos os que o elegeram e se vangloriar de ter influenciado a bravata trampista do Trump de sobretaxar em 50% as exportações brasileiras para os States, não? Indaga ante o silêncio bolsotrumpista e expressões de concordância dos demais…
Afinal, papai Bolsonaro ganha uma bela grana na presidência do PL e ainda conta com aqueles R$ 17 milhões que convenceu incautos brasileiros a lhe dar para saldar a dívida dele, Bolsonaro, com a Justiça… É contra os empregos dessas mesmas pessoas que Eduardo Bolsonaro articula quando diz que faz a cabeça do Donald contra o Brasil…
O presidente dos Estados Unidos, continua o indignado antitrump, alardeia uma tal perseguição política contra o ex-presidente Bolsonaro e as big techs capitaneada pelo ministro Alexandre de Moraes para impor essa sobretaxa de 50% nas nossas exportações e prejudicar, mais do que o governo Lula, milhares de trabalhadores. Trump reclama de uma suposta censura imposta a empresas dos Estados Unidos pelo STF por postagens consideradas ilegais por aqui. É óbvio que o Supremo não pode abrir mão dessa prerrogativa.
E o pior, atravessa a conversa o descrente que não acredita que saia alguma coisa do atual nem do próximo Congresso Nacional, é que nem a ameaça do Donald faz nossos parlamentares se animarem a votar o projeto de regulamentação das redes sociais…
Das duas, uma, volta o indignado. Ou Donald Trump é um ingênuo a se deixar levar por articulações de um mero deputado federal que, para livrar o pai da cadeia, mente contra o próprio país, ou é um desinformado que não sabe nada das relações comerciais do país que governa…
Nenhuma das duas, claro, interrompe o filósofo independente… o Donald é um autoritário. Vive, ainda, no tempo em que o Tio Sam mandava no mundo… mas será que o Lula não pode negociar alguma coisa para salvar algumas empresas?
Mas ceder o quê? Anistiar os golpistas do 8 de janeiro? Livrar a cara do Bolsonaro? O presidente da República não tem poder para isso. Quem vai mandar Bolsonaro passar um tempo recluso é o STF, nesse processo que garante ao ex-presidente o mais amplo direito de defesa.
Parece que Lula fez o correto. Criou uma comissão para negociar com os norte-americanos. Agora, é deixar que os empresários se entendam, que as sobretaxas trompistas provoquem aumentos no preço do breakfast da classe média estadunidense e pressionem os índices de inflação para ver se Trump paga para ver, ou se, como já fez outras vezes, recolhe as fichas…
E, enquanto eles mudavam de assunto para dividir a despesa, fiquei ali no meu canto pensando… se algum deles lembrasse a infantilidade do governador paulista Tarcísio Freitas de pedir que os ministros do STF autorizassem a ida de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos para pedir penico ao Trump, o debate tomaria a madrugada.
Então o governador quer que o pivô da crise vire o salvador da pátria?? Menos, governador, menos! Vocês criaram o problema para vocês mesmos. Lula resgatou o velho discurso de ex-operário que venceu a fome e sabe tirar os outros da pobreza e jogou no colo de vocês a culpa da briga dos ricos contra os pobres.
De que lado o governador vai ficar? Com os empresários paulistas que vão perder negócios? Com os trabalhadores brasileiros que correm risco de ficar desempregados? Ou com a bravata trompista?
O deputado Eduardo Bolsonaro – vendo fracassar o golpe econômico do presidente dos Estados Unidos – talvez já esteja articulando com o comando da SWAT o envio de um esquadrão para invadir a Papuda, resgatar papai Bolsonaro e outros golpistas dos 8 de janeiro. A ver…
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Foto da Capa: Reprodução do Instagram

