Há uns 40 anos, Ulysses Guimarães, então presidente da Câmara dos Deputados e da Assembleia Constituinte, respondia com as frases que eu replico aí no título a quem lhe perguntava se o Congresso Nacional, naquela época, tinha capacidade para enfrentar os tempos complicados do governo Collor de Mello.
E olha que eram tempos de figuras maiúsculas da política. Ocupavam cadeiras nos plenários da Câmara e do Senado, além de Ulysses, claro, gente como Mário Covas, Pedro Simon, Fernando Henrique Cardoso, Nelson Jobim, Miguel Arraes, Roberto Campos, Marco Maciel, Luiz Inácio Lula da Silva… Goste-se ou não deles, não dá para negar que deixaram legados positivos na história nacional.
Lembrei deles e das frases do Ulysses, olhando – mais uma vez – as fotos daquelas da ocupação, dias atrás, das mesas diretoras da Câmara e do Senado.
Lá, de onde Ulysses, em pé, Constituição na mão, bradou que “temos ódio à ditadura, ódio e nojo!” estavam – e ficarão para sempre, congelados em fotos e vídeos – acocoradas figurinhas que querem anistia aos golpistas do 8 de janeiro de 2023… Veja só: na mesa que já foi presidida por Ulysses Guimarães, estavam alguns homenzinhos que aplaudem a chantagem trumpista contra o Brasil e gritam contra a Justiça…
Daquele pessoalzinho, não se ouviu – nem se ouvirá – nenhuma palavra de protesto contra a ameaça, explicitada em nota oficial, de um funcionário subalterno da Embaixada dos Estados Unidos, contra todos os servidores do Poder Judiciário.
Eles estão preocupados com os próprios interesses e com a iminente prisão do chefe maior do reacionarismo nacional. O ex-capitão Jair Bolsonaro. É, eles não são conservadores. Os conservadores são apegados à lei. Os que invadiram e ocuparam os plenários do Senado e da Câmara são só reacionários. Têm alergia a qualquer avanço social, a qualquer luta por igualdade, a toda garantia de liberdade.
Imaginando que algum deles passe por aqui, deixo outras frases de Ulysses.
– “O homem público é o cidadão de tempo inteiro, de quem as circunstâncias exigem o sacrifício da liberdade pessoal, mas a quem o destino oferece a mais confortadora das recompensas: a de servir à Nação em sua grandeza e projeção na eternidade.”
“A história nos desafia para grandes serviços, nos consagrará se os fizermos, nos repudiará se desertarmos.”
Mas será que eles sabem quem foi Ulysses Guimarães? Ano que vem tem eleição. Será hora de escolhermos entre os cidadãos de tempo inteiro e os desertores.
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Foto da capa: José Cruz / Agência Brasil

