Na semana que passou, compartilhei com muita alegria uma entrevista que dei para a produção do segundo episódio da série “Aqui Tem História”, iniciativa da Cubo Filmes que foi publicada pela plataforma Cubo Play. A conversa, conduzida pelo meu querido amigo Carlos Caramez, poeta, escritor e produtor cultural, e pelo publicitário Cláudio Fagundes, fluiu, foi muito serena e verdadeira, mas só me dei conta mesmo depois de ver a minha participação. E fiquei surpresa com a naturalidade do encontro. Pelas minhas palavras passou uma vida toda e, ao me ouvir, a emoção reverberou. Chorei. Foi uma oportunidade rara que tive de dividir com as pessoas questões fundamentais de um viver cotidiano, que me impulsionaram para ser quem sou hoje. O nanismo não me impediu de nada, apesar do preconceito cruel que está por toda parte.
A repercussão da entrevista foi incrível. Os retornos que recebi ao longo da semana de familiares, de amigos, de pessoas que me conhecem e pessoas que não me conhecem, foram maravilhosos. Estimulantes! E, quando decidi escrever sobre essa experiência aqui na Sler, lembrei imediatamente do livro “O que é lugar de fala?”, da escritora Djamila Ribeiro (Editora Letramento/2017), com o qual me identifiquei muito com a escrita.
Encontrei um lugar de fala e não me intimidei.
Tratei, então, de rever o episódio – veja aqui – e concluí que realmente minha vida tem histórias singulares. E, principalmente, teve o apoio essencial da família e dos amigos, muito afeto, vontade de abrir caminhos, sem negar a realidade que foi se descortinando com o passar do tempo. Uma realidade que nem sempre foi amena porque o preconceito veio com tudo. Implacável! A vantagem é que a discriminação que enfrentei e enfrento por conta do nanismo não encontrou uma pessoa frágil, mas uma pessoa consciente da sua condição, relativamente forte, que foi aprendendo, a cada dia, a lidar com as emoções, as frustrações e as intempéries da vida, que são imprevisíveis. Como diz o psicanalista Altair Sousa, o que sempre busquei e busco é “construir uma vida em paz, sossegada, conectada com aquilo que acredito e com o que faz meus olhos brilharem”.
Ao me deparar com um lugar de fala instigante, estimulada pelos entrevistadores, não me intimidei, o que me surpreendeu positivamente. Meus olhos brilharam como sempre brilham com os bons encontros, com o acolhimento, com as conversas animadas, francas e tranquilas, com a arte que enriquece e suaviza nossos caminhos e com a cultura que nos dá identidade.
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Foto da Capa: Reproduçao

