Neste ano de 2026, as torcidas brasileiras – as organizadas e as independentes – serão protagonistas de dois títulos importantes. Um, no imenso e ilimitado campo da política. Desse, já se sabe o resultado: em outubro, seremos decacampeões de eleições diretas.
É… daqui uns dias, vamos comemorar o 41º aniversário deste período democrático – o maior da história – inaugurado em 15 de março de 1985 com a posse de José Sarney na Presidência da República. E, em outubro, elegeremos, pela décima vez seguida, o presidente da República.
Antes, podemos conquistar, em 19 de julho, no estádio de Nova Jersey, o hexacampeonato mundial de futebol masculino.
Em ambas as disputas, as torcidas podem muito, mas não podem tudo. No futebol, podemos influenciar na escalação do time aplaudindo e vaiando. Mas não convocamos, não escalamos. E cabe aos dirigentes, à comissão técnica, ouvir ou não as manifestações da arquibancada, quase sempre ditadas mais pela emoção que pela razão…
E, em eleição, a responsabilidade da torcida pelo resultado é maior. Nós convocamos e escalamos os times. E tomamos essas decisões sabendo que os escolhidos serão titulares durante, no mínimo, quatro anos.
Mesmo os pernas de pau têm esse contrato garantido. Só eles mesmos podem expulsar uns aos outros… Então, convocamos e escalamos, mas só podemos substituir os enganadores – até aqueles que façam gols contra – depois de quatro anos… Podemos até vaiar – e vaiamos – mas mandar os ruins para casa, só na convocação seguinte.
Então, vamos prestar muita atenção: já, já, eles estarão aí invadindo as nossas telas, entrando nos nossos grupos de mensagens, ocupando espaço nos intervalos da novela, do filme, do futebol. Cada um se mostrando mais craque que o outro.
Tentando nos convencer de que dominam qualquer bola, por mais quadrada que ela lhe caia no colo, se mostrando os bambas na defesa do nosso emprego, do nosso salário, da nossa saúde, da segurança, da escola das crianças…
Aí, cabe a nós avaliar, mais do que a beleza das embaixadinhas (os balõezinhos) que eles fazem com as palavras na propaganda eleitoral, o retrospecto de cada um no jogo jogado.
Para onde eles jogaram a bola da(s) emenda(s) que receberam de bandeja durante o jogo que termina em outubro? E quem recebeu o lançamento das emendas? Fez gol para o time todo? Jogou com o pessoal da arquibancada inteira? Ou só armou para o pessoal do camarote?
O povo tem tudo para ganhar o jogo em outubro. Mas não esqueça, você convoca. Mas não pode substituir. É preciso muita atenção para não se deixar enganar pelos pernas de pau que fazem muita firula e, na hora do jogo, amarelam e deixam você na mão. O povo convoca e escala o time para levar o país ao pódio da vida melhor.
Todos os textos de Fernando Guedes estão AQUI.
Foto da Capa: Freepik

