Não tenho dúvidas de que é fundamental estarmos prontos para ouvir, sentir, ver o outro, acolher, dar as mãos. Ao mesmo tempo, sei que precisamos de um olhar interno atento. Um olhar que não subestime nossa condição, nossas inquietudes, dúvidas, contradições e medos. Reconhecer nossos pontos frágeis, de incertezas e angústias, assim como nossas certezas e alegrias, e juntá-los, transformando-os em força, cuidado e união, é o melhor caminho. Dar voz à nossa rebeldia, liberar desejos internos e ajustar nossas vidas ao momento que vivemos é urgente. Até porque a energia pulsa e é saudável que não seja reprimida. O mundo está de pernas para o ar! Dominado por guerras absurdas, invasões, ameaças e disputas de poder alimentadas pela ambição desmedida e pela mediocridade de líderes que se acham donos do universo. E quem realmente sofre as consequências não são os poderosos. Esses se protegem em seus cargos, fortunas, castelos e seguem fazendo ameaças, falcatruas, ridicularizando situações, subestimando vidas que deveriam ser preservadas. E quem sofre é o povo.
Os líderes narcísicos, “os extrovertidos, que se acham donos de tudo, são muito valorizados”, afirmou Francisco Bosco no programa Papo de Segunda do GNT: “Botam para fora um eu egoísta, que só quer dominar a situação, mas não conseguem ver o outro”, porque o “outro” não importa. O que importa é o “eu”. Já o desejo de quem observa e estende o olhar, movido pela sensibilidade, não acende em situações exibicionistas, que não levam a nada. É discreto, mas não desiste de preservar a nossa humanidade.
Os adolescentes, por exemplo, são fósforos queimando incessantemente em busca de experiências, o que faz parte de uma caminhada necessária para as descobertas da vida lá fora. E é bom que este fogo não apague assim no mais.
Na maturidade, temos outras descobertas a fazer, logo também não podemos deixar o fósforo queimar totalmente. Precisamos manter a chama acesa, porque é esta chama que vai nos fazer reagir, seguir sonhando, abrindo possibilidades e lutando pelo que acreditamos. Há luz no fim do túnel, sim! É possível descobrir outros horizontes e seguir em busca de luz em outras caminhadas. “Caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento, eu vou, por que não, por que não?”, canta Caetano Veloso.
Nossa rebeldia precisa de vozes que reverberem para seguir e fazer ecoar as respostas. Vamos liberar estas vozes em nome da nossa dignidade, do nosso bem-estar e da nossa liberdade.
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