Essa semana relembrei um artigo que li há pouco tempo sobre a depressão. Na realidade, uma revisão de literatura de Pedro Romero Carvalho e vários outros autores, intitulada “Depressão: desafios e tratamento”. Como resumo da conclusão, Carvalho e os demais demonstram que a depressão requer uma abordagem abrangente, na qual o suporte familiar demonstra ser importante na regulação emocional e da depressão em si. O fato é que, ao recordar o texto científico, passei a pensar no abraço e no que ele representa. Nada de glamour científico nem complicado: só um abraço e tudo o que ele tem! E visualizei os tantos tipos que eu já vivenciei, como aquele abraço que protege, ou aquele que reconforta, ou aquele que acolhe, ou aquele que chora contigo, ou aquele que te diz não estar sozinho, ou aquele que diz ‘segue em frente’, ou aquele que te parabeniza, ou aquele que se recebe da mãe, com todos os seus significados nas mais variadas etapas de ser filho(a)… porque, no fundo, aquele abraço resume todos os abraços.
Fui buscar a sua origem e nenhum texto que encontrei passa uma data específica de quando surgiu a definição de abraço, mas com referência de que esse gesto está intrincado na evolução da humanidade (ela sempre precisou/precisa de abraço). Na origem etimológica da palavra em português, há relatos de que vem do latim bracchium, que se refere ao braço, somado à preposição ‘A’, que significava na época ‘AO’. Então, ouso resumir que significa estar ‘ao braço’ de alguém. Já no latim clássico, o gesto de envolver um indivíduo com os braços, como um abraço, era chamado de amplexus, que significa envolver. No inglês, a palavra abraço se escreve ‘hug’, que apareceu entre os anos de 1560/70 para identificar um verbo associado a ‘entrelaçar’ ou ‘apertar com os braços’. Há algumas hipóteses para esse termo: uma derivada da língua nórdica com significado de ‘consolar/confortar’. Outra do alemão ‘hegen’, que significa ‘proteger’ ou ‘cultivar’. Já para o movimento em si, na definição do que ele é para o observador como referência, a obra de Luis da Câmara Cascudo, que analisou a origem e o significado dos mais variados gestos, expressa estar o abraço associado aos estágios mais avançados da civilização, o que indica ser o processo de desenvolvimento cultural e social, nada instintivo.
O fato é que o abraço, sabe-se lá de onde e quando veio, vai além da cordialidade. O abraço é uma expressão de sentimento num contexto não científico que percorre o corpo tanto do doador como do receptor em troca de energia, de sentimento, de emoção com poder de cura ou querer bem, cheio de movimento e ritmo que faz chegar na alma. É preciso salvar o abraço, porque ele tem poder de remédio e vai além do movimento!
Denise Preussler dos Santos é jornalista (Unisinos), com mais de 180 artigos publicados em jornais do interior. Tem publicações na Revista Teias, Labrys, Revistas Eletrônicas Puc, Revista de Educação, Linguagem e Literatura-UEG Inhumas. É mestra em Educação (Ulbra) e terapeuta integrativa. Atualmente, cursa Nutrição (Uniasselvi).
Todos os textos da Zona Livre estão AQUI.
Foto da Capa: Gerada por IA.

