Preocupados apenas com seus umbigos e com os umbigos de seus patrocinadores, quem ocupa o Parlamento brasileiro hoje legisla em causa própria, o que é muito claro e inquietante! As tão faladas e questionáveis emendas parlamentares mostram isso. Quem dá mais para manter as mordomias, além dos salários absurdos? Subtraem direitos do povo, apoiam o sucateamento do meio ambiente, enquanto buscam aumentar o número de deputados federais de 513 para 531 para ter mais representatividade, além de aumentar seus ganhos mensais. Defendem os interesses dos mais abastados, ganham muito dinheiro por fora e por dentro ainda têm auxílios diversos. Às vezes, penso que são pagos até para abrir a porta de casa e sair para ocupar o lugar no Parlamento – aquele espaço que, teoricamente, deve ser ocupado por quem foi eleito pela população para representá-la, legislar e fiscalizar com dignidade, a partir do que diz a Constituição.
Mas o que é uma Constituição? É um conjunto de leis fundamentais para organizar um país. Define a separação dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e estabelece os direitos e os deveres dos cidadãos. Pois estas leis, vitais em uma democracia para o desenvolvimento justo, não são prioridade para quem ocupa o Parlamento brasileiro nos dias de hoje. A representatividade que buscam com o aumento do número de deputados federais vai custar R$ 150 milhões por ano aos cofres públicos e não vai melhorar a falta de conexão do Congresso com a população.
Portanto, os tais ocupantes desses lugares não representam a maioria – que sobrevive com parcos salários – como deveria ser. É inacreditável a falta de humanidade e de respeito. São políticos voltados para manter o povo na miséria, cortar auxílios e acelerar o caos climático para sustentar o capitalismo selvagem que, por sua vez, os sustenta. E são ágeis nas suas manobras porque fazem tudo de última hora para só eles estarem presentes e aprovar o que querem. E o que querem mesmo é atropelar o governo, em vez de participar ativamente para resolver os problemas, que são muitos, é óbvio. Problemas que, se pensados com lucidez e vontade de fazer o melhor para o povo, podem ser resolvidos, sim! Mas a lógica não é a sintonia.
Nosso Legislativo é o segundo mais caro do mundo e 76% dos brasileiros são contra o aumento que buscam, segundo pesquisa da Datafolha. O que está em jogo é a disputa egoísta pelo poder que ignora a vontade popular ao propor mais gastos em vez de transparência. Dinheiro público precisa ser usado com responsabilidade, o que se faz com participação e diálogo, não com o aumento de cadeiras. E querem, ainda, acabar com as instituições públicas. Sucatear para privatizar me parece o mantra.
Com um poder legislativo assim, é difícil governar. Já vimos este filme. E rever é um martírio. Quando vamos acordar deste pesadelo?
Para completar o quadro de horror, o mundo está em guerra. E o que importa é o poder. Bombas são jogadas aleatoriamente. Disseminam o medo. Matam famílias inteiras. Separam crianças dos pais. Torturam. As grandes potências, como de costume, só insuflam os combates. Vivemos uma das piores, ou a pior, crise humanitária dos últimos tempos. Mas o que importa mesmo é o lucro a qualquer custo. Dane-se o povo!
Será que ainda teremos luz no fim deste túnel?
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Foto da Capa: Andressa Anholete / Agência Senado

