No momento em que o nosso corpo chega a este planeta, ele começa a mudar.
No momento em que a nossa alma vivencia a vida através do nosso corpo, ela também começa a mudar, pois está aqui para evoluir através do amor.
Portanto, mudar é ótimo, evoluir em espírito é o sentido desse acordar, trabalhar, comer, dormir, ter sorrisos e lágrimas.
Porém, nos ressentimos com a evolução do corpo e nos apegamos à nossa juventude, nos sentimos saudosos da nossa capacidade física do passado, que era quase interminável.
Eu?
Sinto algumas faltas.
Dos meus cabelos que eram mais fartos, do meu nariz menos anguloso, dos meus olhos sem peso nas pálpebras, da minha pele sem tantas marcas, da minha pressão arterial que jamais subia, mesmo com quilos de sal (amo).
Mas esse corpo, que aprendi a amar, ainda me surpreende com tantos ganhos.
Fiquei menos ágil, mas mais forte (sim, tenho mais músculos do que tinha aos quinze anos), meu nariz ficou ossudo, porém mais afilado (como sempre quis), acho os fios brancos lindos e não vejo a hora de encontrá-los.
Corro com menos velocidade, mas com mais saúde.
Louca por sol e calor (sempre adorei correr ao sol do meio-dia), estou apaixonada por corridas geladas.
Tenho olhado para tudo com um olhar diferente, mais suave, mais poético e bem menos urgente.
Sinto que o meu corpo está tentando, finalmente, alcançar a minha alma e, quando eles realmente se encontrarem, poderão partir juntos com serenidade.
Mônica Becker Dahlem é publicitária, jornalista, escritora. Barbara, Frida, Caderno Literário Ajuris, Casos de Sucesso SEBRAE.
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Foto da Capa: Freepik

