Finalmente, botaram ela pra descansar. Nossa guerreira arruaceira dos grupos de zap fez a passagem.
Saiu do imaginário popular pelas mãos da Dra. Carmen Lúcia, que retirou o tubo, desligou os aparelhos e deixou ela ir, não sem antes ter que explicar para o benzedeiro Fux, que foi chamado pela família, que não se mistura homeopatia, placebo, jurisdiques tóxico e democracia.
Deixar ir faz parte da vida, e Selma sempre será lembrada pela festa de arromba que fez em 8 de janeiro de 2023. Praticamente um estouro de boiada, destruidor!
Selma se foi, mas nunca esqueceremos dos esquentas que ela organizou na frente dos quartéis. Altas festas, geral jogando dominó e falando com ETs até altas horas, doidera total!
Numa das festas, rolou música ao vivo com a banda Tire Prays. Aquele dia sim, foi loco!
Vanguardista, fazia parte da turma dos selvagens das motociatas, que reunia gente sem capacete nem noção nem máscaras na época da pandemia. Matador!
Selma sempre foi uma figura controversa, uma santa-do-pau-oco, que dizia fazer tudo em nome de Deus, o que ele sempre negou veementemente.
Mas não podemos ignorar que ela inspirou seus amigos e simpatizantes a tentar dar um golpe, fechar estradas, se pendurar em caminhão em movimento, criar e espalhar fake news, debochar da ciência _ na verdade ela nunca gostou muito de estudar ou tentar entender as coisas, preferia os atalhos e explicações místicas ou fáceis.
Uma delinquente senil alguns vão dizer. O que sei é que a Selma morreu mas o espirito dela ainda está vagando por aí, assombrando as instituições, a democracia, a imprensa e o que restou de decência na política brasileira.
Informamos àqueles que querem prestar uma última homenagem à Selma que leiam o livro Como as Democracias Morrem, do Steven Levitsky e Daniel Ziblatt.
Agradecemos mais uma vez a todos. De pais, filhos, netos e outros familiares que respiram aliviados por não ter que buscar os amigos da Selma na Papuda ou Colméia.
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Foto: André Richter, Agência Brasil

