“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio dos exploradores do povo.”
Bertolt Brecht
John Maynard Keynes, homem culto e inteligente, em 1926 afirmou que quanto à luta de classes ele se colocava ao lado da burguesia educada, em vez de fingir, como hoje é comum em círculos intelectuais e políticos, negar a existência da mesma. Embora essa constatação tenha sido feita por historiadores franceses da burguesia educada, Karl Marx a adotou inteiramente.
Keynes imaginava que “dentro das quatro linhas” do capitalismo liberal, os problemas econômicos da sua época, no futuro, estariam solucionados e então teríamos de encontrar atividades culturais, motivos emocionais e ocupações na ausência das fortes pressões econômicas e sociais do capitalismo primitivo.
Desta forma, no avanço irresistível de um mundo de lazer ilimitado, prestigiaremos quem nos poderá ensinar como escolher virtuosamente o dia e a hora que certas pessoas terão o prazer e o talento de nos possibilitar a viver como os lírios do campo que não trabalham nem tecem.
No seu horizonte ideológico de burguês culto e educado, Keynes não pôde antever que a férrea armadura estrutural da acumulação de capital não permitiria que qualquer ideia de tranquila e benévola gratificação humana seria totalmente incompatível com a situação da ordem social na qual hoje vivemos, a qual está sempre a nos fustigar e a nos submeter às incontornáveis e prementes necessidades econômicas e sociais de sobrevivência.
Mas, com seus sentimentos humanitários, Keynes, um talentoso economista, mas não um profeta, não poderia imaginar que em algum momento da evolução do capitalismo – e para salvá-lo do risco do socialismo – surgissem gênios das finanças que tirassem milhões de coelhos de dentro de suas mágicas cartolas.
Mas, agora, tivemos a oportunidade de vê-los, todos perfilados na primeira fila na posse do atual presidente dos EUA, um próspero e hábil homem de negócios e jejuno em refinamentos éticos.
Lá estavam eles.
1. Elon Musk, patrimônio líquido: US$ 195 bilhões.
2. Jeff Bezos, patrimônio líquido: US$ 194 bi.
3. Mark Zuckerberg, patrimônio líquido: US$ 194 bi.
4. Warren Buffett, patrimônio líquido: US$ 141 bi.
5. Bill Gates, patrimônio líquido: US$ 133 bi.
Enfim, os donos do mundo, sorridentes e felizes, prestavam homenagens a quem elegeram.
O slogan político “Proletários de todos os países, uni-vos!”, um dos mais famosos gritos de protesto e de esperança do socialismo, vem do Manifesto Comunista de Marx e Engels. No mundo de hoje, tragicamente, esta consigna está superada e derrotada por um sombrio slogan: “Trilionários de todo o mundo, uni-vos” e esta é sua única e eficiente ideologia.
Onde isto nos levará não é uma incógnita. Será uma realidade elaborada por cruentas disputas e permanentes guerras fratricidas pelo poder financeiro global que, finalmente, confirmará a previsão de que “o mundo existia antes do aparecimento do homem e continuará existindo após seu possível e provável desaparecimento“.
Franklin Cunha é médico e membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
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Foto da Capa: Gerada por IA.

