Não tenho planos definidos para 2026. Tenho projetos, claro. Tenho sonhos, mas nada com ponto final. Vou brindar à chegada, sim! Gosto dos rituais da nossa tribo e de reunir amigos e familiares. Sigo querendo leveza, justiça e dignidade para o cotidiano de cada um de nós. O ano que se despede não foi nada ameno. A diversidade que nos constitui não foi assimilada e, mais uma vez, enfrentamos a emergência climática que grita, com toda razão, porque as chuvas em excesso, as tempestades, as ventanias, o calor e as tragédias não dão trégua. Fogo. Seca. Desmatamento. Inundações. Muitas famílias ainda seguem fragilizadas física e emocionalmente. O ano de 2025 está terminando e deixa muitas arestas porque a ganância, a necessidade de explorar, de acumular e o descaso, infelizmente, seguem em primeiro lugar. Na política, basta um olhar para o que acontece no Congresso Nacional, que não toma nenhuma atitude concreta para defender a integridade do povo. Pelo contrário. Só defende suas benesses e benesses para os comparsas na hipocrisia. E, ultimamente, parece ter virado um campo de batalha sem respeito por nada.
O que é essencial para a vida digna da população?
– A certeza de que é possível viver muito bem sem destruir o meio ambiente.
– A luta contra o racismo, contra o feminicídio e qualquer tipo de discriminação.
– A sintonia com a palavra que proporciona o diálogo e nos coloca em contato.
– Sustentabilidade, acessibilidade, inclusão social, saúde e educação.
– O respeito pelas diferenças.
– O respeito pelas crianças.
– O acolhimento.
– O pensamento crítico, a formação de indivíduos livres, responsáveis e éticos.
– O fazer político justo.
O que considero essencial alimenta a minha rebeldia.
– Vou seguir em busca da lucidez, do olho no olho, do debate a céu aberto, da solidariedade e da harmonia.
– Vou seguir trabalhando pelo acesso aos livros e à leitura que abrem caminhos, libertam e levam ao conhecimento necessário para encarar o cotidiano.
– Vou seguir de mãos dadas com a arte que me encanta e dá asas para a minha sensibilidade.
– Vou seguir de mãos dadas com a escrita e com a cultura que me dá identidade.
Quero pisar com calma em 2026. Preciso encarar os velhos problemas que não nos abandonaram e ainda preocupam. A miséria escancarada nas ruas. Famílias inteiras com fome. O feminicídio, que cresce assustadoramente. Crianças rejeitadas em escolas pela condição física, mental e social. Lixo e fios soltos ocupando as calçadas e obstruindo a passagem de pessoas em cadeiras de rodas e com bengalas, mães com crianças em berços, e por aí afora. E, claro, as questões pessoais e profissionais que fazem parte do meu cotidiano.
Não dá para passar impune porque a questão social inquieta. E a classe política, de um modo geral, está ocupada com o poder, não olha para o coletivo como deveria. Basta – repito – observar o que acontece no Senado Federal e na Câmara dos Deputados. Legislam em causa própria! Mas em 2026 vão sobrar olhares, promessas e encenações porque temos eleição. Acontece que a minha paciência para a hipocrisia dos discursos já esgotou faz tempo. É preciso olhar com atenção para a grande parcela da população que trabalha honestamente para garantir o pão de cada dia, enquanto alguns políticos deixam o país e seguem recebendo seus polpudos salários. Quem olha?
Precisamos estar fortes e atentos para estabelecer as conexões possíveis em defesa da nossa democracia e da integridade da vida. Todas as vidas! E para isso o combustível das AMIZADES — dos afetos, das boas conversas, das risadas gostosas, da boa luta, da solidariedade e da esperança — me impulsiona. É o que quero brindar, porque este combustível não me falta. Nunca faltou!
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Foto da Capa: Freepik

