Confesso que sempre tive problemas para gravar as numerações dos filhos de Jair Bolsonaro. Mesmo quando só se falava em três. Quando passamos a pensar em quatro, ficou pior ainda!
Só sei que Flávio, senador pelo Rio de Janeiro, é o 01; Carlos, vereador pelo Rio e instigador nas Redes, é o 02; Eduardo, deputado federal por São Paulo e mal influencer nos EUA, é o número 03; e Jair Renan, vereador em Balneário Camboriú, empresário e ex-assessor parlamentar, é o 04, porque estou consultando a IA enquanto escrevo.
Mas nunca tive dúvidas do número do pai!
Jair Messias Bolsonaro, ainda que de Direita, é um Zero à Esquerda.
Um militar medíocre, que foi afastado do Exército.
Acima de tudo, é um péssimo estrategista.
E um trapalhão, ainda que esse nome no Brasil seja mais adequado para designar quem faz o povo sorrir.
É um capitão que, em meio à batalha, corre para o lado errado, com arma na mão, e deixa os verdadeiros soldados e o País desprotegidos.
Bolsonaro não soube liderar o Brasil na mais importante guerra do país em muitas décadas.
Não queria que o país parasse por causa da Pandemia! Era do seu direito, mas não tinha o direito de ser insensível à dor e às mortes de milhares de cidadãos brasileiros.
Fosse um líder de verdade, um bravo e competente capitão, teria assumido a liderança em meio à luta contra a Covid-19. Vitorioso, assumiria a condição de herói.
Mas o então presidente insistiu desde cedo no “não fique em casa” e ele mesmo só saiu muitas vezes às ruas apenas para fazer piadinhas e provocar aglomerações.
Irresponsável e insensível, em momento algum foi às suas bases, aos seus milhões de apoiadores, entre eles inúmeros empresários, para pedir que se dedicassem à produção de máscaras e doação de cestas básicas. “Vamos trabalhar uma hora a mais, voluntariamente, para salvar os brasileiros!”
Não há um único tuíte do ex-presidente do Brasil e da sua tropa nesse sentido!
Que fizesse pronunciamentos, suas famosas lives, dizendo: “Gente, o Brasil não pode parar. Não podemos quebrar nossa Economia. O desemprego pode matar tanto ou mais que a Covid! Mas, vejam, vamos usar máscaras. Vamos lavar as mãos. Vou ensinar hoje, aqui, ao vivo, como é que a gente higieniza as mãos…”
Bolsonaro não se preocupava em salvar vidas. Só com a economia.
Não sei se você, leitora, leitor, se lembra: na única vez em que visitou um hospital de campanha, em Goiás, foi para fazer política!
Foi para causar confusão!
Foi para misturar Pandemia com Pandemônio.
Achava que Hospital de Campanha fosse de Campanha Política.
O Capitão conduziu o País na triste marcha de 711 mil brasileiros no caminho da morte, que colocou o país no topo da macabra lista da maior proporção de mortes entre os países com mais de 100 mil habitantes.
Bolsonaro não perdeu as eleições para Lula porque os votos foram fraudados, nem porque as urnas eletrônicas são suspeitas.
Obviamente que não são!
Não perdeu as eleições porque o povo se esqueceu dos erros e desmandos cometidos pelo governo petista.
Foi derrotado por seus próprios erros em uma eleição que poderia ter sido a mais fácil de todas.
Agora, o ex-presidente, que será julgado sobre a tentativa de golpe militar, com suposto planejamento do assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, mais uma vez erra tudo e coloca o PT como favorito na disputa eleitoral.
A estratégia lesa-pátria do Clã Bolsonaro de instigar o governo Trump a agir contra os interesses do País, com a taxação de 50% nos produtos brasileiros, deve fazer com que até brasileiros que detestam o PT saiam em defesa da soberania nacional.
É, acredito, óbvio, que para o bem e para o mal, as populações costumam se unir na hora da guerra (e aqui falamos da Guerra Comercial entre EUA e Brasil) na defesa de seus países. Como não lembrar que a esquerda argentina apoiou o governo militar na Guerra das Malvinas contra o Reino Unido, ato nacionalista, fazendo exatamente o que os militares queriam?
A estratégia de Bolsonaro para escapar da prisão, é um tiro pela culatra. Ao que tudo indica não o ajudará a escapar do xilindró, ajuda o enfraquecido governo de Lula e o Partido dos Trabalhadores a fortalecerem seu discurso de “Nós Contra Eles” e leva a briga para o lado em que Lula é mais forte e competente. Basta ver a estupenda entrevista que deu ao Jornal Nacional. Os “Bolsonaros” entregam de bandeja para a esquerda as burramente abandonadas e esquecidas cores da bandeira nacional. Em defesa da soberania nacional, a esquerda brasileira estará nas ruas de verde, amarelo e vermelho, defendendo o Brasil e protestando, com razão, contra os brasileiros que agem como traidores.
Bolsonaro, que dizia se preocupar com a economia, mostrou mais uma vez que só se preocupa consigo mesmo. Não está nem aí para o país. Mas nem tudo é absoluto. Apesar das críticas, devemos admitir que o ex-presidente é muito mais que um Zero à Esquerda. Além de insensível e incompetente, é um traidor exemplar.
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Foto da Capa: Reprodução do Youtube

