Quando mulheres se juntam, revoluções acontecem. Quando mulheres decidem aprender em coletivo, bradar em coletivo, sentir em coletivo.
Eu quero falar de 8 mulheres que se uniram para pensar juntas, estudar juntas e que juntas aprenderam a ver o mar e usar âncoras tanto quanto velas.
O mar é um organismo imenso, correntes sanguíneas de oceanos que não aprenderam a respeitar litorais. Essas 8 mulheres que se agruparam quase aleatoriamente em sua maioria, também não.
Mulheres não são iguais nem desejam iguais, mesmo que normalmente seus fluxos menstruais até se alinhem pela força da presença. Mas essas figuras, em momentos diferentes da vida, resolveram brincar de pensar artisticamente e estão fazendo muito mais do que algo para tornarem mais afinado e profundo seu ofício de ouvintes.
Estão mergulhando em seus próprios mares, rindo, se emocionando, se indagando sobre, afinal de contas, o que será pensar poeticamente. Como uma artista e uma psicanalista se diferem ou se assimilam? O corpo é embarcação poderosa, mas também tão frágil e que requer manutenção atenta e presente.
Eu sou a nona mulher tentando mergulhar com elas e nem acredito que elas aceitaram meu convite, mesmo sem saberem exatamente o que viria. Convidei oito mulheres para virem à praia e falarmos de arrebentações, das luas e suas cheias, dos afogamentos e ressacas. Isso é muito mais do que estudar alguma coisa. Nove mulheres juntas não transformam o mundo, mas se misturam em suas raízes e nas dores do feminino que ainda precisam tanto ser partilhadas.
Nove mulheres na beira da praia, aprendendo sobre seus litorais, com pés na areia e as mãos dadas. Sem protetor, nem solar nem de ouvidos.
Ainda não acabou, as conchas dão notícias de que tudo se quebra e os saberes também.
Arrisco dizer que estamos aprendendo o que é ainda mais sagrado que ouvir alguém: enxergar o mundo com olhos de poesia. Conhecer as ondas. Eu não morro mais afogada em meus pensamentos porque estou trazendo gente anfíbia para sentir comigo.
Minhas 8 mulheres, multidão. Estendamos nossas cangas coloridas na beira da praia porque agora é aquela hora do sol mais calmo, aquele da hora dourada. Ouçamos o rugido das ondas mais suaves que não desistem de quebrar.
Sejamos mais mulheres à beira de seus tantos litorais.
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Foto da Capa: Gerada por IA.

