Em 1995, o cientista Stephen Hawking participou do programa “Tomorrow’s World” da BBC e fez uma série de previsões sobre como o mundo seria 30 anos depois, ou seja, em 2025. Duas de suas principais previsões relacionadas ao cosmos foram: que a mineração espacial se tornaria uma indústria lucrativa e que o lixo espacial se tornaria um problema sério.
Hawking previu que empresas privadas estariam explorando asteroides em busca de metais preciosos. Embora a mineração espacial ainda não seja uma realidade em grande escala, o interesse e os desenvolvimentos nessa área estão crescendo, e pode se tornar uma realidade em um futuro próximo. Quanto ao acúmulo de lixo espacial, ele alertou que ameaçaria a segurança dos astronautas, necessitando de soluções inovadoras. Essa previsão se mostrou bastante precisa. O lixo é, de fato, um problema crescente e uma preocupação significativa para as agências espaciais e operadores de satélites atualmente, embora o “gel de espuma” que ele sugeriu para mitigar o problema nunca tenha sido desenvolvido.
Em recente análise, o jornalista André Trigueiro, que tem sido uma voz importante no que tange a questões ambientais, aponta para um cenário bem diferente e muito mais imediato. Ele sugere que a facilitação de projetos de mineração através do PL do Licenciamento Ambiental e a limitação de terras indígenas pelo Marco Temporal são movimentos estratégicos. Eles visam preparar o caminho para a exploração de nossas terras raras, aqui e agora.
A ameaça do “tarifaço”, entre outras pressões internas e externas, disfarçadas de preocupações políticas e pretensa defesa de ideais democráticos, por quem já deu provas de total desrespeito a esses valores, reforça esse contraponto. Um intricado jogo de forças geopolíticas não espera que a mineração espacial se torne viável; elas estão agindo ativamente, com a ajuda de escroques, delinquentes e imbecis, para garantir acesso aos recursos onde eles estiverem.
Hawking olhava para um futuro onde a Terra seria pequena demais para nossas ambições de recursos. Trigueiro, por outro lado, nos confronta com a dura realidade de que a Terra ainda é o palco principal da disputa por recursos, e o Brasil, com sua abundância, enfrenta desafios muito mais próximos e concretos do que a exploração do espaço sideral. O grande foco de interesse não está em asteroides distantes, mas sim nas riquezas minerais da própria Terra, como é o caso do nosso país e suas – nossas – vastas reservas.
Numa de suas frases mais conhecidas, Stephen Hawking aconselhava: “Lembre-se de olhar para as estrelas e não para baixo, para os seus pés. Tente achar sentido no que você vê e pergunte sobre o que faz o Universo existir. Seja curioso…” A partir da segunda sentença, ouve-se a voz de André Trigueiro. As ameaças à nossa economia, ao comércio internacional, quando associadas aos arranjos políticos paroquiais, parecem mesmo esconder interesses bem mais escusos do que a farsa de chantagem travestida pelo tarifaço. “Tente achar sentido no que você vê e pergunte sobre o que faz tanta movimentação, aparentemente tosca, existir…”
Todos os textos de Fernando Neubarth estão AQUI.
Foto da Capa: Acervo do Autor.

