O PL da Devastação, um projeto de lei que coloca em risco o meio ambiente, nossa saúde e nossas vidas, aprovado por senadores desumanos, é isso?
Esta pergunta ficou reverberando e tomou conta dos meus dias depois de ver e ouvir o jornalista André Trigueiro falando sobre o excesso de plástico nos oceanos. Ele foi comentando e mostrando de um jeito muito claro e didático a herança que estamos deixando para as nossas crianças, adolescentes, jovens. Para o mundo. Herança assustadora! A mensagem foi explícita – é urgente fazer muito mais pelo meio ambiente. Preservar as matas, os rios, o mar. Tomar uma atitude. Participar. Não apenas reclamar, mas colocar as mãos na massa. Trabalhar com as novas gerações, desde a infância, as questões urgentes e vitais do meio ambiente. Como diz o psicanalista mineiro Altair Sousa, precisamos “costurar a vida onde ela se rasga e desamarrar as exigências grandiosas para mirar nos diminutivos que nos circundam”. Preservar as árvores, as flores, as águas, os pequenos jardins, as hortas caseiras, as lavouras que garantem o alimento sadio do dia a dia. Convocar os pássaros, ouvir seus cantos sutis, delicados, e nesse percurso chamar as crianças para participar, ensiná-las a plantar e valorizar cada pequeno gesto que preserva a saúde das matas, dos animais, da terra e de cada um de nós.
Já passou da hora, eu sei! Os desastres climáticos só aumentam. Temos episódios diários que apontam para as reações da natureza, cansada de tantos abusos, de tanto descaso, de tanta exploração. A jornalista Eliane Brum fez todos os alertas possíveis e segue atenta, apontando, denunciando. Mas a ganância do homem, especialmente dos que detêm o poder financeiro, é inabalável. Não se curvam por nada e ainda contam com o apoio de senadores desumanos. Querem o lucro a qualquer custo, no campo e na cidade, nem que para isso seja necessário derrubar muitas árvores, apostando no agronegócio predador e na construção de prédios imensos, concreto puro que esconde o céu, tira o sol, o ar, a beleza, a saúde.
Nessa reverberação que me inquietou e acendeu muitas luzes, é impossível não fazer referência ao trabalho da nossa parceira aqui no Sler, a jornalista Sílvia Marcuzzo, uma ativista que coloca a mão na massa e escreveu recentemente – “Em tempos de tantas situações surreais, proporcionar locais onde a vida brota pode ser um jeito de revolucionar as relações. E pode ser algo transformador. Não só para quem proporciona, mas para quem desfruta. Permitir que nasçam flores, plantas que convivem numa boa ou disputam um lugar ao sol, requer alguma atenção. Cultivar a natureza é um caminho para se conectar com o fio da vida. Com o que nos faz acordar de manhã e seguir respirando o resto do dia. Até o apagar da velha chama, como já cantou João Gilberto.”*
Quero fazer uma referência também à entrevista que o artista visual Amaro Abreu deu para a Rádio ABC Paulista sobre o livro “O Islã e a Maçã” (Pubblicato Editora, 2024). Na sua fala, ele salientou o respeito e a urgência de conectarmos as crianças com a natureza, a partir de um olhar sensível para a terra, para a água, para a cultura e a arte que traduzem nossa essência. O tema está na pauta de quem entende que tudo está entrelaçado e que precisamos reforçar e expandir esses laços para preservar o meio ambiente e seguir respirando com liberdade.
*A música chama-se “Corcovado”. É uma canção de Antônio Carlos Jobim, do movimento Bossa Nova, estilo musical que surgiu no final da década de 1950, com influências do samba e do jazz, e se tornou um símbolo da música brasileira, conhecido no mundo inteiro.
Todos os textos de Lelei Teixeira estão AQUI.
Foto da Capa: Arquivo / Agência Brasil

