Num mundo onde as pessoas são julgadas e valorizadas de acordo com o que consomem e ostentam, sejam Labubu x Lafufu (semanas atrás eram os bebês reborn, lembra?), os olhos parecem começar a se voltar para o mercado prateado. Nos últimos tempos temos assistido, lido e escutado uma dezena de reportagens, podcasts, matérias e reports a respeito do envelhecimento populacional no Brasil e no mundo. E já era tempo!
A Economia da Longevidade é uma realidade no mundo e as perspectivas para ela são muito boas. Observe o quadro abaixo e veja as projeções de lucro bruto com o consumo da população 65+ nos cinco continentes até 2040:

Esse aumento demográfico cresce ao ritmo de 3% ao ano e, segundo o Bank of America Merrill Lynch, a Economia da Longevidade movimenta cerca de US$ 7,1 trilhões/ano, o que, na prática, lhe confere o status de terceira maior atividade econômica do mundo.
Esse envelhecimento populacional no Brasil e no mundo já trouxe mudanças culturais e trará ainda mais. O comportamento das nossas avós hoje não é o mesmo das de 1970 e muito menos das de 1950.
Entre 2011 e 2030, o Brasil envelhecerá o que a França levou 145 anos! Então, imagine a revolução que será feita. Não só quantitativamente na população, mas culturalmente. Conforme pesquisa Diversa Idade conduzida para a área de Insights & Mídia da Globo, verificando o segmento da população mais velha, lemos sinais positivos dessas mudanças culturais:
A faixa etária dos 65 a 74 anos, para conseguir envelhecer bem, está praticando e intensificando algumas atividades e hábitos no seu dia a dia, como:
- 55% mais cuidado com a alimentação.
- 34% tomando vitaminas e suplementos (mulheres: 45% | homens: 25%).
- 28% realizando atividade física em casa com ajuda da internet.
O grupo dos 65+ também está construindo planos e diversos projetos nessa fase da vida:
- 65% cuidar da saúde.
- 54% viajar mais (vs. 45% de pessoas de 25 a 49 anos).
- 33% passar mais tempo com a família.
Um dado significativo a respeito de projetos nessa faixa etária é que, de acordo com o Censo da Educação Superior 2023, o Brasil registrou 9.977.217 matrículas nos cursos de graduação e sequenciais de formação específica — presenciais e a distância. Desse total, 60.735 matrículas foram de estudantes com 60 anos ou mais. Quase metade dos alunos nessa faixa etária (30.692) ingressou no ensino superior em 2023. Pessoas dispostas a aprender, talvez fazendo uma transição de carreira, transformando sonho em realidade. Quem disse que os 60+ são acomodados?
Quer ver mais um exemplo do quanto a população 60+ está mudando culturalmente a sociedade e comprometida com novos propósitos de vida? Conforme a pesquisa Diversa Idade, nos últimos 12 meses, os 50+ estavam tão apaixonados, em novos relacionamentos amorosos, e emocionalmente comprometidos com novos pets, quanto os mais jovens. Surpreso? Por quê?

Nível de comprometimento emocional e amoroso por faixa etária, conforme pesquisa Diversa Idade / Globo
Junta-se aos dados acima o fenômeno do “divórcio cinza ou grisalho”, ou separação de casamentos longevos. No Brasil, as separações dos 50+ cresceram 30% nos últimos anos, de acordo com o IBGE. As causas? Especialistas apontam filhos criados, carreiras consolidadas, casamento ultrapassado e morno, independência financeira. Novos propósitos de vida. Novos projetos.
Essas mudanças culturais e tantas outras impactam em diversos setores das nossas vidas. Criam vácuos, preenchem lacunas. Assim como desacomodam pessoas, está na hora de desacomodar as organizações para acolher essa população que está aí. Metamorfoseando-se e transformando a sociedade.
Por tudo isso, para os jovens de 18 a 24 anos que declararam ter medo de envelhecer e revelaram possuir os piores estereótipos sobre velhice na pesquisa Diversa Idade, gostaria de tranquilizá-los. Como gerações anteriores, a gente vai aprendendo fazendo. Claro que é bom se planejar. Certa vez, me disseram para fazer planos a lápis, para sempre poder apagar e reescrever a rota. Achei uma boa sugestão. Mas, especialmente se tiver um/a mais velho/a por perto, lembre-se de pedir apoio quando sentir necessidade de escutar a voz da experiência.
Também é um alívio saber que a “curva da felicidade”, comprovada por pesquisa, mostra que somos mais felizes nas suas extremidades, ou seja, na infância e na velhice. É pra lá que vamos na melhor das hipóteses.
Quando chegar a vez de vocês, não sei o que nem como, mas saberão transformar o mundo também como os que estão envelhecendo e envelhecidos vêm fazendo. Então, sem medo de ser velho, e feliz!
Todos os textos de Karen Farias estão AQUI.
Foto da Capa: Freepik

