No final do ano anterior, passado pouco mais da metade de dezembro, a dupla argentina Ca7riel e Paco Amoroso, dona de um sucesso estrondoso no cenário musical, resolveu anunciar uma pausa na carreira em plena finalização do próximo disco.
O motivo inusitado – só que não! – é o fato de que a carreira está avançando em uma velocidade vertiginosa demais. A dupla considerou oportuno parar visando, inclusive, cuidar da saúde mental e da própria carreira, já que consideraram apressadas algumas de suas últimas decisões. Tudo isso se depreende do comunicado que deixaram em suas redes sociais.
Imagino o quão difícil deve ter sido decidir por esta pausa quando, no mês anterior, Ca7riel e Paco arrebataram 5 Grammys Latinos em meio à promoção e às performances para o novo disco a ser lançado – Top of The Hills. Na tradução, o topo da montanha, justamente este que, ao que parece, a dupla não está tão desesperada em alcançar. Ironicamente, os desbordes da fama meteórica com suas demandas incessantes são os temas de seus últimos lançamentos e, ao mesmo tempo, causa do vértigo que gerou a pausa.
Esse exemplo, reduzido à devida proporção, conduziu-me a pensar minhas próprias pausas. Estou quase parindo minha bebê e o corpo exige outro ritmo. Só que sabemos, o mundo não dá folga e, conflituado ou não, há verdade no meme que manda o militante descansar.
Termino esse texto com a Venezuela já invadida, ponderando as dores dos irmãos venezuelanos de lá e dos que optaram por sair. No entanto, muito mais preocupada com o futuro da América Latina. Esta que sobreviveu e muito se esquivou do colonizador por ser, conforme Lélia González, Améfrica Ladina, mas que, para pessoas como Trump, Milei e o resíduo bolsonarista, não passa de América Latrina. Quer dizer, tanto melhor quanto mais subserviente e submissa ao tio Sam. Eles mijam na nossa cabeça e a nós cabe estar feliz debaixo do golden shower.
Muito assunto, mas vou precisar mesmo parar. Esta coluna pausa para minha licença-maternidade. Ao mesmo tempo, penso na continuidade entre o cultivo das letras e os outros. Penso nas sementes que precisam de escuridão e sombra para germinar, enquanto por fora parece que ocorre pouco ou nada. Talvez, por um motivo semelhante, os bebês também germinam no escuro da barriga e assim creio que pode ser com as pausas artísticas e literárias.
Mientras tanto, as leitoras e leitores têm aqui na Sler outros excelentes colunistas. Obviamente, destaco o time poderoso de mulheres, porque sim, precisamos ser mais escutadas, mas também mais lidas. Andréia Schefer, Anna Tscherdantzew, Cibele Figueira, Lelei Teixeira, Helena Ruffato, Sílvia Marcuzzo, Karen Farias, Luciane Slomka, Vera Moreira, Helena Terra, além das colaboradoras da Obadá e da POA Inquieta.
Já veremos em que curva estará o mundo quando eu voltar. Enquanto isso, boas fraldas para mim e boas leituras para nós!
Todos os textos de Priscilla Machado de Souza estão AQUI.
Foto da Capa: Nathanel Love do Pixabay

