Quem não arrisca, não petisca, diz o velhíssimo ditado. Então, lá vai: arrisco dizer que o projeto de anistia aos golpistas bolsonaristas, do jeito que está redigido, não será nem apresentado na Câmara dos Deputados, apesar da defesa intransigente do líder do PL, Sóstenes Cavalcante, mais bolsonarista que o Bolsonaro, e das ameaças do ainda deputado Eduardo Bolsonaro e do blogueiro Paulo Figueiredo…
Falando nisso, me diga aí: será que alguém – aqui e alhures – teme, mesmo, essas tais articulações que um blogueiro – cujo único qualificativo é ser neto do nosso último ditador – e um deputado que, já, já, perde o mandato por abandono do cargo têm feito contra os trabalhadores brasileiros e a favor dos golpistas?
Afinal, o pessoal da Casa Branca deve ter mais o que fazer e não vai ficar dando ouvidos aos dois, que se comportam como aquele menorzinho do colégio que adora fazer uma intriga para ver os grandes brigarem… Ou vai fingir que pressiona o Brasil e eles, como vampetas mal ajambrados, vão fingir que foram atendidos em suas maluquices?
Deixemos essas duas figuras pra lá. Vamos à tentativa de anistia. Eu acho que o líder do PL na Câmara fez, na verdade, foi lançar um balão de ensaio para ver quem embarcava com ele. Político experiente que é, Sóstenes não pode acreditar que o Congresso Nacional aprove um projeto de anistia até para crimes futuros. Está escrito lá (o negrito é meu):
“Fica concedida anistia a todos aqueles que, no período compreendido entre 14 de março de 2019 e a data de entrada em vigor desta lei, tenham sido ou estejam sendo ou, ainda, eventualmente, possam vir a ser investigados, processados ou condenados em razão de condutas como: ofensa ou ataque a instituições públicas ou seus integrantes; descrédito ao processo eleitoral ou aos Poderes da República; reforço à polarização política; geração de animosidade na sociedade brasileira.”
Com essa redação, esse texto pode ser chamado de Projeto de Abolição da Justiça no Brasil. Então, meu amigo, acho que nem é preciso torcer muito contra esse projeto. Afinal, como disse Ulysses Guimarães, a única coisa que mete medo em político é a voz rouca das ruas. E 55% dos brasileiros são contra a anistia aos golpistas, segundo pesquisa Datafolha do começo de agosto.
Então, se quiserem mesmo ajudar a velhinha da Bíblia e a Débora do Batom, os bolsonaristas vão aceitar um projeto de redução de penas do pessoal – menos de 10 por cento de todos os presos e processados – que já está na Papuda.
Amanhã, o STF retoma o julgamento dos golpistas. Pode ser que até sexta saia a pena a ser cumprida e os endereços onde os cabeças do movimento golpista poderão ser visitados. E é bom já ir se acostumando com a prisão domiciliar do capitão que, por causa da idade e da saúde, deve continuar confinado em casa. Mas com visitas mais restritas.
Pra terminar, vou dar de barato que os bolsonaristas da Câmara insistam na provocação e aprovem o Projeto de Abolição da Justiça no Brasil. Aí, vão precisar dos votos de 257 deputados e de 41 senadores para derrubar o veto de Lula. Se conseguirem, terão que combinar com os 11 ministros do STF, vários dos quais já disseram que essa anistia é inconstitucional.
Você viu o que o Lula disse ontem à noite? Pois é… Cada vez mais difícil Paulo e Eduardo terem sucesso no servicinho que resolveram fazer contra o Brasil nos Estados Unidos. O mais provável é que o filho do ex-presidente volte, em breve, a fritar hambúrguer e o neto do ditador, quem sabe, vire freguês…
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Foto da Capa: Dep. Sóstenes Cavalcante / Lula Marques / Agência Brasil

