Diante das insistentes solicitações de alguns respeitáveis participantes para que não se discutam ou debatam temas políticos na próxima confraternização anual, vejo-me obrigado (para não me sentir constrangido durante a festa) a definir os vários significados da palavra “política”, segundo definições clássicas, acordadas e aceitas “Urbi et Orbi” em todos os países civilizados que a adotam como normas de sobrevivência ao estatuir os diversos parâmetros e conceitos de nossa cultura ocidental e cristã.
Definições
A política vai muito além dos debates parlamentares ou das campanhas eleitorais. Ela está presente em cada aspecto da nossa convivência cotidiana, desde as decisões que tomamos em família até os acordos que estabelecemos em grupos sociais.
Entender a política como parte da vida em comunidade é essencial para refletirmos sobre nosso papel como cidadãos e sobre como podemos contribuir para uma sociedade mais justa e participativa. Neste texto, vamos explorar o verdadeiro significado da política, sua origem, seus desdobramentos na administração pública e sua presença inevitável em nossas vidas.
1. A política como convivência social.
2. A política na administração do Estado.
3. Por que a política é importante?
4. O lado negativo da política.
5. Outros significados da palavra “política”.
Nos referiremos apenas à política como convivência social.
A palavra “política” é derivada do termo grego “politikos”, que designava os cidadãos que viviam na “polis”. “Polis”, por sua vez, era usada para se referir à cidade e também, em sentido mais abrangente, à sociedade organizada.
Onde quer que haja duas ou mais pessoas, haverá a necessidade de definir regras de convivência, limites de ação e deveres comuns. A política acontece justamente no ato de existir em conjunto, e, por isso, existe para além do governo.
Dessa forma, a origem da política remonta à participação na comunidade, à vida coletiva. Bem diferente do que se costuma pensar sobre a política como algo limitado aos políticos profissionais e longe do nosso cotidiano.
O filósofo grego Aristóteles definiu o ser humano como um animal político, ou seja, um ser que inconscientemente busca a vida em comunidade, porque suas necessidades materiais e emocionais só podem ser satisfeitas pela convivência com outras pessoas.
Além disso, o animal político se diferencia dos outros bichos pela sua capacidade de se comunicar em nível complexo, diferentemente de outras espécies. Por meio da linguagem, o humano pode trocar ideias, imaginar o futuro e criar regras para compartilhar o mesmo espaço. A política, para Aristóteles, começa na convivência entre familiares, e depois se expande para o resto da sociedade.
Portanto, de acordo com o que é definido como “política” e explicitado claramente no presente texto, terei não só o prazer como a possibilidade (e até o dever) de expor algumas ideias sobre o momento histórico no qual vivemos no Brasil e no mundo.
Em não obtendo o nihil obstat dos participantes da confraternização e atendendo seus pedidos de que façamos uma reunião apolítica, proponho que sejam debatidos e discutidos temas de leveza espiritual e até metafísicos, como alguns que relatarei a seguir:
– Com quantos paus se faz uma canoa?
– Qual a cor do cavalo branco de Napoleão?
– Qual o time de futebol campeão gaúcho no ano de 1954?
– Qual o nome do médico daquele time, o qual faleceu recentemente com mais de cem anos?
– Quem foi Terezinha Morango?
– O saudoso Camelinho era gremista ou colorado?
– Quem, entre os presentes à reunião, já foi à Disney?
– E, naquele notável centro cultural, o que mais o impressionou?
– Quem sabe o nome da capital de Burkina Faso?
- Qual o nome do professor que bocejava mais de dez vezes durante as aulas?
– Essa é de cultura geral: “Quem pintou o teto da Capela Sistina?”
– Essa também: “Quem compôs a Nona Sinfonia de Beethoven?
– E o Bolero de Ravel?
– Quais os melhores medicamentos para a artrite reumatoide?
– E para a “impotência coeundi”?(Cuidado: essa é opcional por ser perigosa)
Enfim, para evitar os desagradáveis temas políticos, os quais correm o risco de provocar uma grossa pancadaria (o que obrigaria a intervenção da turma do “deixa disso”), proponho, humildemente, que as questões mais agradáveis sejam postas na reunião após sorvermos alguns goles de um bom Malbec ou de duas ou três doses de um legítimo ‘scotch on the rocks”.
Franklin Cunha é médico e membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
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Foto da Capa: Freepik

