Na véspera da queda da Bastilha, Luís XVI, ao ouvir muitos gritos e protestos pelas ruas de Paris, perguntou ao seu amigo, o Duque de Liancourt: “Isto é uma revolta?”
“Não, Majestade, é uma revolução”, respondeu o Duque.
E no dia seguinte, 14 de julho de 1789, a população de Paris invadiu e destruiu a Bastilha, prisão que era um símbolo da monarquia absolutista francesa, marcando o início da Revolução Francesa.
E quando ouço ou leio alguém chamar o golpe militar-empresarial de 1964 de “revolução”, lembro-me da resposta do Duque de Liancourt ao rei Luis XVI.
No Google:
“A diferença entre revolta e revolução reside na abrangência e profundidade do impacto que causam. A revolta é uma expressão de insatisfação e rebeldia, local e com objetivos específicos, enquanto a revolução é um processo de transformação radical e abrangente da sociedade, com o objetivo de alterar as estruturas de poder e as relações sociais.”
Exemplos:
A Revolução Francesa, a Revolução Russa de 1917 ou a Revolução Cubana de 1959.
Em resumo, a revolta é um protesto contra algo, enquanto a revolução é uma mudança fundamental em algo.
Mais definições.
Revolta
Pode ser efêmera e não resultar em mudanças significativas nas estruturas sociais.
Uma greve por melhores salários, uma manifestação contra uma lei específica ou protestos de ecologistas contra a poluição do ar e das águas.
Revolução
Abrange toda a sociedade e busca alterar as estruturas de poder, as relações sociais e as instituições políticas.
Mudança radical e abrangente da sociedade, geralmente com a finalidade de estabelecer um novo sistema político, econômico e social.
Produz mudanças profundas e duradouras na sociedade, alterando a forma como as pessoas vivem e se relacionam.
A diferença entre revolta e revolução está na escala, nos objetivos e nas consequências.
Revolta
Geralmente, é um ato de resistência ou protesto contra uma autoridade estabelecida. Pode ser espontânea e localizada, envolvendo um grupo específico de pessoas que se opõem a uma decisão, regime ou condição injusta. No entanto, revoltas nem sempre levam a mudanças duradouras.
Revolução
Implica numa transformação mais profunda e estrutural na sociedade, governo ou economia. Normalmente, é um processo prolongado e organizado, com o objetivo de substituir completamente um sistema ou regime por outro. As revoluções costumam impactar de forma definitiva a história de um país ou até do mundo.
Um exemplo clássico é a Revolução Francesa, que mudou radicalmente a estrutura política da França, enquanto diversas revoltas ocorreram ao longo da história sem necessariamente levar à derrubada de um sistema. Revoluções também podem ser denominadas a russa de 1917 e a cubana de 1959.
Octavio Paz (1914-1998) foi um poeta, ensaísta, tradutor e diplomata mexicano. Prêmio Nobel de literatura de 1990, em seu livro “Corriente alterna” (Siglovitiuno editora, 1967, México) afirma: “Para que a Revolta deixe de ser apenas protestos de rua e se torne história propriamente dita, deve se transformar em Revolução.”
A Revolta é a violência do povo, a Rebelião é a sublevação minoritária e são, ambas, espontâneas e cegas. A Revolução é reflexão e espontaneidade, uma ciência, uma arte…
Na segunda metade do século 19, surgiu um outro vocábulo: Reformista.
Ortega y Gasset (1883-1955), filósofo e ensaísta espanhol, no livro “A Rebelião das Massas”, faz uma distinção muito aguda entre um Revolucionário e um Reformista: o primeiro quer mudar os usos, o segundo, corrigir os abusos. O Reformista, portanto, seria um rebelde que ataca o tirano, o Revolucionário, a tirania.
Ipso facto, em 1964 no Brasil, não vigorava uma tirania sob o jugo despótico de um tirano. Portanto, denominar Revolução a derrubada de um presidente democraticamente eleito que governava e respeitava a Constituição do país é contradizer os fatos, é uma contradição nos termos, uma intencional confusão semântica e, enfim, uma deliberada intenção de introduzir um regime ditatorial, como ficou solarmente evidente nos 21 anos que se seguiram ao golpe militar-empresarial-policial, com as deletérias consequências que se seguiram em todos os níveis sociais, econômicos e intelectuais do país.
Franklin Cunha é médico e membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
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Foto da Capa: Anônimo - Wikipedia

