Empregos verdes são aqueles que estabelecem uma relação entre o mercado profissional, a produção de energia e os temas ambientais. Trata-se de postos de trabalho que contribuem para a redução das emissões de carbono e para melhorar e preservar a qualidade ambiental da região onde estão inseridos.
Quem escolhe atuar nesta área, assume a responsabilidade de lidar com questões que afetam profundamente a sociedade, como o aquecimento global, desmatamento, lixo, uso da água e da energia, resíduos sólidos, entre outros. Sendo assim, é exigido um perfil analítico, além de boa capacidade de compreensão dos problemas ambientais e das questões sociais e econômicas da sociedade.
Os principais setores de empregos verdes no Brasil são: reciclagem, transportes, agricultura e setor energético. O Brasil responde por 10% de todos os empregos verdes no mundo, ocupando a segunda colocação entre os maiores empregadores da indústria de biocombustíveis, solar, hidrelétrica e eólica. O setor de energia renovável, por exemplo, somou mais de 11 milhões de empregos em 2020, segundo relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA).
A participação dos talentos verdes na força de trabalho global aumentou de 9,6% em 2015 para 13,3% em 2022, segundo dados do Global Green Skills Report 2022, elaborado pelo LinkedIn – um crescimento de 38,5%. Em 2022, cerca de 10% dos anúncios de emprego exigiam ao menos uma habilidade verde.
De acordo com o relatório da rede social profissional, o Brasil aparece como o sexto país onde os trabalhadores mais estão aplicando habilidades verdes em seus empregos. Deste modo, trabalhadores em todos os níveis de ensino desenvolvem suas habilidades verdes. Globalmente, a taxa é mais rápida entre aqueles com diploma de ensino superior, aponta o Fórum Econômico Mundial.
Segundo o Fórum, são as empresas que devem apoiar a requalificação verde, investindo na formação da força de trabalho, cursos de aprendizagem e programas locais. Assim, os trabalhadores devem considerar uma carreira verde que melhore sua empregabilidade futura, permitindo o aprimoramento de suas habilidades. A instituição vinculada à ONU sugere que habilidades em ciência, arquitetura, planejamento, agricultura e justiça ambiental estão entre aquelas que serão necessárias na economia verde.
Existe um conjunto amplo de trabalhos verdes atualmente, não havendo um perfil de formação único para quem se interessar pela área. Obviamente existem cursos universitários, cursos ou pós-graduações especializados em ecologia, mas a formação verde necessária para um trabalho determinado consiste na especialização ambiental dentro de um setor.
Se uma pessoa trabalha desenhando embalagens, por exemplo, terá que se relacionar com materiais ecológicos. Da mesma forma, um advogado interessado na preservação da natureza terá que se especializar em direito ambiental, ou um engenheiro que queira trabalhar no setor energético terá que se especializar em tudo aquilo que estiver relacionado com as energias renováveis, eficiência energética ou descarbonização da economia.
Até 2030, a ONU estima que 18 milhões de empregos verdes serão criados em todo o planeta. Cerca de 15 milhões só na América Latina e Caribe. Neste cenário, o Brasil teria quase a metade das vagas, cerca de 7,1 milhões, seguido pelo México, com 2,1 milhões de empregos. A organização estima que 7,5 milhões de empregos em áreas ligadas à mineração, pecuária e combustíveis fósseis poderiam desaparecer devido às novas vagas, mas seriam criados outros 22,5 milhões de empregos na agricultura, energia renovável, construção, manufatura e silvicultura.
Dentro da perspectiva dessa nova economia, existe um conjunto de atividades que são potencialmente geradoras desses empregos ambientalmente equilibrados e favoráveis à qualidade de vida. Isso causa um efeito positivo sobre a economia global. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) já advertiu que, se nada mudar, o crescimento do emprego no futuro não será suficiente para satisfazer o aumento da força de trabalho nos países emergentes e em desenvolvimento.
Porém, as mudanças na produção e no uso da energia podem trazer consigo a criação de milhões de postos de trabalho na economia mundial, segundo o relatório sobre perspectivas sociais e de emprego da organização. Estas mudanças, que atendem aos compromissos do Acordo de Paris e à geração de empregos verdes, deverão exigir um maior uso de fontes de energia renováveis, o crescimento da utilização de veículos elétricos e a realização de obras de construção para haver mais eficiência energética nas edificações.
O Serviço Social Verde emerge como uma oportunidade profissional inovadora e necessária mediante os desafios ambientais contemporâneos, propondo uma integração profunda entre a justiça social e a justiça ambiental. Em um mundo marcado pelas mudanças climáticas, existe a necessidade de mudança no serviço social tradicional, incluindo, em sua agenda, o compromisso com a sustentabilidade e a proteção dos direitos das comunidades afetadas por problemas ambientais. O serviço social tem no campo que trata das questões socioambientais um importante e desafiador campo de atuação e intervenção, para isso precisa estar preparado intelectual e culturalmente para novas possibilidades de atuação, o famoso “sair da caixinha”! É necessário estar disposto a novos desafios, comprometimento, discutir, intervir, proatividade, abordagem ecossocial ativa são itens que compõem este profissional. Estar aberto para atuar dentro dos princípios da economia circular alinhada com os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), ESG e os Direitos Humanos, definitivamente a bioeconomia é o caminho para a salvação e preservação da humanidade. O Serviço Social Verde demanda a articulação com outras áreas do saber, como biologia, geografia, direito ambiental, engenharia, saúde coletiva, entre outras. A atuação interdisciplinar amplia o alcance das ações e fortalece a construção de soluções integradas e inovadoras para desafios complexos. O mercado carece e procura profissionais com conhecimentos das práticas ESG, que é uma exigência trazida pelo mercado financeiro e das grandes seguradoras que querem garantir o retorno financeiro investido.
Ainda são muito incipientes nos debates da categoria, pesquisas e atuação profissional dentro desta temática (AVILA, MATTEDI e SILVA, 2017). Os Assistentes Sociais têm o dever de se envolverem com as questões climáticas e suas consequências, pois colocam em risco os direitos humanos fundamentais como o direito à vida, saúde, alimentação e água, e todos estes se comunicam com os ODS.
Estes adventos das mudanças climáticas promovem um abismo social que se amplia globalmente e têm um desafio imenso de atuação dos profissionais do Serviço Social. O desenvolvimento social está nitidamente ligado ao desenvolvimento econômico, porém este não pode ser realizado à custa da destruição do planeta. As mudanças climáticas já começam a impactar todos os aspectos da vida social, como na produção de alimentos, infraestrutura, biodiversidade, saúde, segurança, economia, entre outros.
O Serviço Social Verde é a abrangência interdisciplinar e holística às crises ambientais que desafiam a profissão do Assistente Social, incorporando nos seus princípios e valores as preocupações com a degradação ambiental, associadas na sua atuação diária, rotineira e convencional. O assistente social verde atua como mediador, educador, mobilizador e defensor dos direitos humanos e ambientais. Suas funções incluem:
Diagnóstico e avaliação de riscos socioambientais.
• Articulação de redes de apoio para populações afetadas por desastres naturais.
• Promoção de políticas públicas sustentáveis.
• Facilitação de processos participativos para o desenvolvimento de projetos ambientais.
A tendência é que, cada vez mais, a atuação socioambiental se torne transversal às práticas do serviço social, portanto, um vasto campo de oportunidade de atuação ainda com poucos profissionais atuando tanto no setor privado, terceiro setor e no público.
Então, bora ocupar este espaço e abrir novos campos de trabalho e quebrar paradigmas!
Simone Pinheiro é assessora técnica de Associações e Cooperativas de Unidades de Triagem, assistente social, mestre em Ciências Sociais e articuladora do POA Inquieta
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Foto da Capa: Gustavo Mansur / palácio Piratini

