Você já pensou no quanto suas relações são vitais para trocar saberes sobre aquilo que se lê? Faço essa indagação porque tenho amigas que fazem uma diferença no atual contexto, porque procuram assimilar aquilo que leem para suas vidas. Uma delas é a Maura Campanili, que está lançando nesta Feira do Livro de Porto Alegre uma publicação que deve ser conferida principalmente por mulheres que gostam de compartilhar o que sentiram nas leituras. É a obra “Temos fome, somos loucas – Como um clube do livro transformou a vida de um grupo de mulheres”, que inaugura o catálogo da Editora Pitanga.
Conheci a Maura em São Paulo, quando morava em Brasília e trabalhava na Rede de ONGs da Mata Atlântica. Ou seja, há um bom tempo. Ela tem uma experiência absurda na produção de títulos socioambientais. Como geógrafa e jornalista, foi editora de meio ambiente da Agência Estado, escreveu e editou obras importantíssimas como o Almanaque Socioambiental do Instituto Socioambiental (ISA), edições 2005 e 2008; o livro dos 30 anos da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida: Apremavi, 30 Anos, 30 Causas; O século da escassez; Caiman, uma História de Conservação no Pantanal, entre muitos outros.
Só que, dessa vez, a Maura lança uma obra autoral, na qual reflete seus próprios sentimentos e percepções entre mulheres que se digladiam para arrumar tempo para si, na loucura da correria da Paulicéia Desvairada.
Como já citou a Lelei em seu texto recente aqui na Sler, precisamos estar abertas, seremos permeáveis a aprendermos umas com as outras. E uma das formas é justamente a que a Maura conta no livro. Um grupo de mulheres que mantém viva uma iniciativa que já passou por altos e baixos, o CFL, o Círculo Feminino de Leitura.
O grupo se reúne há mais de 17 anos e tem um jeito de funcionar sui generis (no livro tem o passo a passo). Pois, para entrar no circuito, não é necessário que todas se conheçam previamente. Já leram mais de 180 títulos de estilos completamente diferentes. E cada encontro tem uma ambientação conforme a história, com decoração, cardápio e figurino combinando. Ah, e regado a prosecco!
O que mais curti (li numa sentada, o texto captura a atenção do leitor nas suas 178 páginas) foi saber dos bastidores, do quanto o grupo de mulheres, que no começo da parada driblava administrar casa, trabalho, filhos etc., e que hoje boa parte está aposentada. O clima dos encontros varia conforme a configuração tanto energética quanto das mulheres foi mudando com o passar do tempo.
Esse grupo viveu aventuras de quem vive a dor e a delícia de estar no coração de onde as coisas acontecem, no eixo Rio-São Paulo. Talvez, para a condição financeira delas e também devido às facilidades geográficas, elas se permitiram desfrutar de situações super especiais, como ir para a Flip, em Paraty, e flanar entre lançamentos e palestras.
Como participo de grupos de mulheres também, fiquei pensando o quanto seria viável participar de algo parecido por aqui. Será que os títulos seriam aceitos numa boa? Precisa de foco, mas também de disposição, tolerância, tempo, enfim, uma série de recursos intangíveis e tangíveis que, tenho dúvidas, do quanto seria viável acontecer. Minhas amigas próximas são mega ocupadas. Tenho dúvidas se elas teriam disposição para ir atrás das obras para ler. Maura vai tratar sobre isso e muito mais no dia 5 de novembro, quarta-feira, às 14h30, no auditório Érico Veríssimo no Clube do Comércio (Andradas, 1085, 2º andar). Depois, às 16h, será a sessão de autógrafos.
Como convivo com pessoas que não leem, como adolescentes e aquelas pessoas que preferem acreditar no que chega pelo zap ou por redes sociais, sei que as telas capturaram de um jeito a atenção delas, que até me dói comentar. Realmente, junto com o estado do planeta, nas suas múltiplas dimensões de colapso, o emburrecimento dos seres que deveriam ser pensantes é outro aspecto que me preocupa com relação ao destino da humanidade.
Se antes não tínhamos acesso à informação, hoje vivemos uma infodemia. Talvez, se houvesse formas de promoção de grupos de leitura, poderia ser um caminho para amenizar esse contexto. E, com mistura de interesses, quem sabe. E a Maura estará pronta para inspirar a criação de outros grupos. Aliás, ela me contou que uma das melhores partes de lançar um livro autoral é ser convidada para dar palestras em escolas, conversar com pessoas desconhecidas e também perceber que precisamos encontrar formas de sermos felizes, apesar do contexto.
Anota aí e vai lá:
Conversa com a autora
Quando: 5 de novembro, quarta-feira, às 14h30
Onde: Auditório Érico Veríssimo no Clube do Comércio (Andradas, 1085, 2º andar).
Autógrafos:
5 de novembro, 16h, na Praça de Autógrafos da 71ª Feira do Livro de Porto Alegre
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Foto da Capa: Divulgação

