O ator Wagner Moura ganhou o prêmio de melhor ator no Globo de Ouro no início da semana. E estava com ele, como é de costume entre os homens casados, sua mulher, Sandra Delgado, a única há 25 anos. De família tradicional brasileira eu poderia chamar a situação, eles têm também três filhos, levando em consideração o tempo de convivência, mas, parei para pensar, ler sobre o casal, ouvir entrevistas do Moura, e me dei conta de que não. Eles não representam esse rótulo e por uma razão simples: Moura não é um homem machista e infiel.
No Brasil, não pesquisei em outros países, a média de duração de um casamento civil, segundo pesquisa do IBGE feita em 2024, é de 13,8 anos. Até 2010, era de 16 anos. No século XX, o tempo era praticamente até que a morte separasse os infelizes ou a infeliz do opressor que pintava, bordava e brincava de boneca com outras mulheres. Era dele o dinheiro que entrava em casa ou que fazia diferença na hora de pagar as contas e de adquirir bens, portanto ele fazia o que bem queria, o que incluía transformar sua companheira em uma refém financeira.
Em resumo, com o marido provedor ou bom partido, como diziam minha mãe, minha avó e a grande maioria das mulheres da época, ninguém se metia. Pouco importando a qualidade da vida sexual e emocional do casal, eles tinham de ficar juntos, e a esposa tinha de suportar o que fosse preciso, leia-se a indiferença e a infidelidade do marido. Tanto ela quanto suas amigas deveriam ignorar as amantes, fingir de conta de que não era com elas. Uma coisa cafona e vulgar. Ou melhor dizendo, um contexto de homens cafonas e vulgares.
Eu penso, para usar uma palavra polêmica, que não passa de um comportamento megachinelo. Sejam Havaianas ou Ipanemas, homens com esse perfil, ainda mais os contemporâneos ou pseudocontemporâneos, envergonham o gênero. Traição é uma escolha muito primitiva e antiga, um símbolo de falta de amadurecimento, de falhas de caráter e de autoestima. Quando ela, nos dias de hoje, acontece, penso: que pessoa miserável e ultrapassada.
Mas o fato é que, no passado, a pressão social era para que os casais permanecessem juntos. Ainda há, é inegável, cobrança nesse sentido, porém menos intensa porque, ao contrário das gerações anteriores, agora, uma parte significativa das mulheres possui certa autonomia financeira e chuta o balde, para não dizer outra coisa, quando desrespeitada. Que os homens continuam detentores de poder, ganhando muito mais dinheiro, deixo para falar em outro momento.
Nesse, e já encerrando o texto, eu disse a mim mesma para não escrever mais tão longos, o propósito é parabenizar o Wagner Moura. Não pelo prêmio profissional. Ele já recebeu milhões de cumprimentos. Mas por ele, apesar de todo o patriarcado e de sua carreira em um meio complexo, ser capaz de zelar e lutar por seu afeto com Sandra Delgado. Em uma entrevista à Revista Elle Brasil, Moura atribui a longevidade de seu casamento ao amor: “Não é fácil, mas é bonito você dividir uma vida, aprender junto, ajudar o outro”, disse. Sim, é bonito e generoso. Pena que ainda existam os que preferem o feio e o mesquinho e que não transcendem.
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Foto da Capa: Reprodução do Instagram / Dica.Cine

