Finalizamos 2025 como um ano de desafios regionais, nacionais e internacionais, vários eventos marcaram o ano que se encerra. É o momento do balanço da renovação da esperança e da resiliência para 2026, que está logo ali chegando.
Em 2026, teremos eleições para o governador e a nova composição da Assembleia Legislativa do Estado (espero com muita renovação!).
O cenário político do Rio Grande do Sul para as eleições de 2026 mostra uma disputa intensa entre os principais candidatos, refletindo o clima de polarização que se intensifica no estado. As últimas pesquisas indicam que duas figuras se destacam na preferência do eleitorado, enquanto outros nomes buscam consolidar sua presença no debate público. Essa configuração sugere que o período de campanha será marcado por estratégias agressivas e posicionamentos claros para atrair votos.
A ex-deputada Juliana Brizola possui 21% das intenções de voto, seguida do Tenente Coronel Zucco com 20% e Edegar Preto com 11%.
Para debater as eleições de 2026, é necessário recordarmos os dados das eleições de 2022 no Rio Grande do Sul. No primeiro turno das eleições de 2022, Eduardo Leite (PSDB) obteve 1.702.815 votos, Onyx Lorenzoni (PL) recebeu 2.382.026 votos, Edegar Preto (PT) alcançou 1.700.374 votos, Vieira da Cunha (PDT) somou 101.611 votos e Vicente Bogo (PSB) conquistou 172.222 votos. Os candidatos do PSB e do PDT somaram 273.833 votos, sendo que Edegar Preto não avançou ao segundo turno por uma diferença de apenas 2.441 votos. Os números são claros e não deixam dúvida: se a esquerda estivesse unida, estaria no segundo turno.
Tendo a compreender que a política não é uma ciência exata, esses números indicam algumas situações que merecem reflexão. Mesmo separadas, a extrema direita (representada por Onyx Lorenzoni) e a direita tradicional (representada por Eduardo Leite, que possui em torno de 58% de aprovação de sua gestão) estão consolidadas em um patamar de votos impressionante. Imaginem juntas. Esse cenário deve ocorrer no segundo turno das eleições de 2026. Desde as eleições de 2018, observa-se que o RS é majoritariamente um campo conservador e bem fundamentado da direita. Então, para um avanço progressista, existe a necessidade de mudança, de avaliação dos candidatos e de união.
Além disso, o contexto político do Rio Grande do Sul indica polarização ideológica entre os candidatos que lideram as pesquisas. Isso significa que o debate eleitoral deve girar em torno de propostas claras e posicionamentos firmes, com a intenção de atrair eleitores que se identificam com valores e ideologias específicas. A forma como essas disputas serão conduzidas poderá impactar diretamente na percepção pública de cada candidato.
Porém, o que sempre é pouco discutido é a composição da Assembleia Legislativa do Estado, pois o campo político que ganhar a majoritária tem que ter a maioria na Assembleia; do contrário, não conseguirá governar. Também é contraditória a posição do eleitor que por vezes vota em deputados e governadores com posições políticas adversas. Esta é a parte mais importante das eleições, pois é aí que são construídas e votadas as leis que impactam no nosso dia a dia.
A quantidade de indecisos e eleitores que manifestam intenção de votar em branco ou nulo reforça a complexidade do pleito. Esse cenário mostra que campanhas bem estruturadas e que consigam dialogar diretamente com o eleitorado podem conseguir superar candidatos que, mesmo numericamente à frente, não estão suficientemente consolidados. A capacidade de mobilização social e presença em diferentes regiões do estado será um diferencial competitivo.
Ainda temos a disputa das duas vagas para o Senado Federal. Segundo uma pesquisa divulgada em 25.11.2025 pela CNN Brasil, dois nomes surgem na disputa: Manoela D’Ávila (PSOL) com 16% das intenções de voto e o atual governador Eduardo Leite com 19%. O governador Eduardo Leite tem 58% da sua gestão aprovada. A elevada taxa de aprovação, mesmo com os desafios enfrentados, como a crise climática, se explica por um possível reconhecimento da estabilidade administrativa da atual gestão.
Por fim, a eleição de 2026 promete ser uma das mais disputadas da história recente do estado, com candidatos próximos nas intenções de voto e estratégias cuidadosamente planejadas. Cada percentual conquistado poderá ser decisivo, e o período que antecede o pleito será essencial para consolidar alianças, aumentar a base de apoio e transformar indecisos em eleitores fiéis. O resultado final dependerá da capacidade de cada candidatura em se conectar com a população de forma clara e consistente.
Simone Pinheiro é assistente social, mestre em Ciências Sociais e articuladora do POA Inquieta.
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Foto da Capa: Paulo Pinto / Agência Brasil / Fonte: Agência Senad

