Como você imagina o futuro, Paulo?
Imagina, Dudu?? Eu VIA o futuro..
Via??
É… eu VIA a bandeira dos Estados Unidos tremulando naquele mastro construído no governo do general Emílio Médici lá na Praça dos Três Poderes, quando o vovô João era o Chefe da Casa Militar.
Eu VIA, Dudu, o Brasil como o 51º estado dos Estados Unidos e VIA o prédio do Congresso transformado no Trump Hotel – aquele projeto que era pra ter saído, numa parceria minha com o Donald, lá na Barra da Tijuca antes dos Jogos Olímpicos do Rio e só não saiu porque uns comunistas inventaram que os presentes que eu dei pra uns diretores do BRB eram propina pra gente arrumar a grana do empreendimento.
Olha só a injustiça… eu até passei uma temporada preso por causa daquelas calúnias.
Sabe aquelas cúpulas da Câmara e do Senado, Dudu? Pois é! No futuro que eu VIA, elas eram as duas metades de uma bola de futebol americano!
A sede do STF, eu VIA como escola de formação de juízes da NFL, a liga norte-americana de futebol… Os ministros do Supremo seriam alunos, com exceção do Fux, que tinha sido aprovado por merecimento…
Ah! Dudu.. eu VIA o Palácio da Alvorada transformado na residência de férias do Donald e o seu pai carregando a pasta dele depois, claro, de entregar o celular pro motorista.
O Donald sabe do que os ajudantes de ordens são capazes!
No Brasil do futuro que eu VIA, Dudu, o Malafaia como o mestre de cerimônias e animador dos encontros do Donald com os bolsonaristas que teriam, todos, se convertido ao trumpismo…
Ô, Paulo, por que você fala no passado, no condicional e dá tanta ênfase a esse VIA??
Pô, Dudu… sabe o que é? É que desde o dia 11, depois que eu vi o voto da Carmen Lúcia, eu voltei a ver o Brasil como ele é desde 1985, quando o vovô João saiu do Planalto pelos fundos…
Desde o dia 11, eu vejo o Brasil como esse lugar onde o presidente da República não pode interromper processos na Justiça e nem demitir juiz que o investiga… diferente daqui, onde o Donald pode demitir, ou pelo menos tentar demitir, a autoridade que abre investigação de denúncias de participação dele, Donald, em bacanais com menores de idade…diferente daqui, onde os juízes não entendem a importância de não contrariar a vontade do presidente dos Estados Unidos e condenam um amigo dele a 27 anos de cadeia mesmo correndo o risco de ficarem proibidos de levar os netos à Disneylândia!!
Mas e você, Dudu, como você vê o futuro?
Futuro, Paulo? Que futuro, meu?!?!? O futuro acabou… Acreditar que o Donald vai mandar os marines ocupar o Basil lá por Copacabana? Sonhar que ele aumente as taxas do café e corra o risco de provocar uma inflação ainda maior aqui?
O futuro está nas mãos do Tarcísio, Paulo. Você acredita que o Tarcísio desista de ser governador praticamente reeleito de São Paulo para ser quase presidente do Brasil?
O futuro acabou, Paulo. Agora, é jogo de cena. O Tarcísio faz jogo de cena com a promessa do indulto aos condenados pelo STF. Ele sabe que o tribunal derruba o indulto…
O Centrão faz jogo de cena com a anistia ampla, geral e irrestrita. Todos sabem que, aprovada no Congresso, cai no Supremo.
Sabe o que é o futuro, Paulo? É uma anistia que reduz as penas dos civis que estão na Papuda, solta a Débora do Batom e a professora idosa, deixa o meu pai preso em casa e pronto.
O meu futuro? Vou ficando por aqui. Enquanto durar o dinheiro que papai ganhou dos eleitores – via PIX – e manda pra mim vou ficar alertando contra o risco de venezuelizacão do Brasil. Afinal, essas pesquisas mostrando que o povo concorda com os ministros do STF são todas compradas pela mídia esquerdista…
Se nada der certo, vou fritar hamburguer…
Nota do autor: este é texto de ficção. Qualquer relação com figuras reais, ou raras, é coincidência.
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Foto da capa: Arquivo Nacional

