Conhecer a Nova Zelândia era um sonho antigo, foram três tentativas frustradas, mas finalmente, em 2 de fevereiro de 2026, pousamos em Auckland. Ainda não me acostumei com o celular mostrar 2 de fevereiro e as pessoas no Brasil estarem no dia 1º. Passaremos o mês inteiro rodando os 1.600 km que separam um extremo ao outro das duas ilhas. Toda semana teremos novas colunas, fotos e vídeos nos links que deixaremos aqui. Se curtir, suba a bordo!
Mas por que Nova Zelândia? Porque tem uma natureza lindíssima e é um dos melhores países para viver. Além disso, tem aspectos históricos que nos interessam muito. Foi o primeiro país a dar voto às mulheres (1893). O primeiro a criar salário-mínimo nacional (1894), porque é um dos países mais “cinematográficos” do mundo. Não é por acaso que aqui foram rodados filmes como O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia, Avatar, King Kong, Missão Impossível, O Último Samurai, Thor, The Piano e cenas de Jurassic Park. Os maoris representam 20% da população e sua língua tem status oficial. A cultura deles está viva e sendo recuperada. A NZ tem muito mais do que kiwi e esportes radicais. O país tem oficialmente dois nomes: New Zealand (em inglês) e Aotearoa (em maori), que significa “Terra da Longa Nuvem Branca”.
Aliás, o que pouca gente sabe é que a fruta “kiwi”, importada da NZ, é uma jogada de marketing. A fruta veio da China e se adaptou muito bem aqui. Ela lembra o pássaro Kiwi, símbolo do país, marrom, peludo e único (um pássaro que não voa, é noturno e bota ovos gigantes). Os neozelandeses também são chamados de “Kiwis”. A fruta gooseberry chinesa virou kiwi para vender melhor no Ocidente.
Depois de mais de 30 horas de viagem, no roteiro Porto Alegre – São Paulo – Santiago – Auckland, agora estamos 16 horas à sua frente. Quando você acordar, estaremos indo dormir. Foram 13 horas para percorrer os 9.600 km que separam Santiago do Chile de Auckland na NZ. No mapa, parece que vamos “por cima” da Argentina, África, Austrália. Só que não! A rota real é pelo outro lado, pelo Pacífico.
Olha, eu não sei você, mas eu nunca tinha entendido bem este negócio de, quando se está viajando no “outro lado do mundo”, precisamos avançar ou voltar um dia no calendário. Acho que agora entendi, vou exemplificar com a nossa viagem de volta. Quando pegarmos o voo em Auckland às 19h50min do dia 28/2, será 6h50min do dia 28/2 em Santiago. Na volta, o voo é mais rápido, reduz para 11h30min, então: 6h50min + 11h30min = 18h20min. Somando as horas de voo ao horário chileno, chegaríamos em Santiago às 18h20min do dia 28/2. Ou seja, teríamos saído de Auckland às 19h50min do dia 28/2 e chegado em Santiago às 18h20min do dia 28/2. Para evitar o “chegar antes do que saiu”, ao cruzar a tal “Linha Internacional de Data” (LID), do leste para o oeste, o calendário avança um dia.
O Meridiano Greenwich, que passa em Londres, divide a Terra nos hemisférios Ocidental e Oriental. Para o leste, somam-se horas. Para o oeste, subtraem-se horas, não muda o dia, só os ponteiros do relógio. Esta linha controla os fusos horários. Já a Linha Internacional de Data fica no meridiano 180° (bem nas costas da linha Greenwich), ao passar por ali, ajusta-se o calendário. Indo do oeste para o leste, volta-se um dia. Viajando do leste para o oeste, avança-se um dia.
Até aí eu entendi, mas a minha cabeça “bugou” quando soube que uma viagem de Anchorage (Alasca) até Anadyr (Rússia), que apesar de durar cerca de 3 horas, as duas cidades possuem um fuso horário com diferença de 21 horas. Neste caso, sim, a pessoa sai no domingo e chega no sábado. Que confusão, não achas? Mas é assim, de verdade!
E por que diminui 1h30min na volta, sendo que é o mesmo percurso? Porque os ventos nesta região, que podem passar de 200 km/h, predominam na direção da Nova Zelândia para o Chile. Contra o vento, a velocidade é de 730 km/h; na volta, com a ajudinha dele, o avião alcança 1030 km/h.

No dia 4 de fevereiro pegaremos nossa Campervan, uma van com cama, cozinha, vaso sanitário e chuveiro. Ela será a nossa casa, restaurante e nosso meio de transporte ao longo do mês. Na próxima semana contaremos mais histórias, fotos, filmes e perrengues à vista. Viaje com a gente. Queremos compartilhar esta experiência para te incentivar a vir aqui.
Desculpa o textão professoral, culpa do vício em explicar. Mas prometo, as próximas colunas terão mais paisagens e menos contas de fusos.
Abraços.
Grace & Felipe (no lado de lá)
Todos os textos de Luis Felipe Nascimento estão AQUI.
Foto da Capa: Vista Aérea de Auckland /craigsydnz / Wikipedia

