Liderar é servir. É o que Platão, filósofo do século III a.C, elaborou com seu Rei-Filósofo: uma comunidade ideal só seria possível se os filósofos fossem reis ou se os reis fossem filósofos. Um Rei-Filósofo é um governante, um líder, que ama a sabedoria e conhece a justiça e o bem, tem o senso de igualdade e pertencimento ao mundo, portanto, não se guia por interesses particulares. Para Platão, a liderança deveria ser destinada a quem se preparou para a função, sendo capaz de conduzir outras pessoas no mesmo caminho. Ele fundou sua Academia para a formação ética e espiritual de homens e mulheres, para que entendessem que liderar é servir.
Tenho um casal de amigos, Paulo e Cleide Pennacchi, de Arapongas, no Paraná, que são a verdadeira expressão do conceito de Platão. Fizeram de suas vidas um ato de servir através da Casa do Bom Menino, uma história que desenham desde 1977 em sua cidade. Os resultados são impressionantes, emocionantes, inspiradores, uma prova conclusiva de como uma comunidade pode se tornar ideal, quando um líder exerce sua vocação e responsabilidade.
No final de agosto passado, foram comemorados 20 anos do Projeto Crescer na Casa do Bom Menino, com três noites de arte no Cine Teatro Mauá. Este projeto oferece, no contraturno escolar, a crianças e jovens, de famílias com renda de até três salários mínimos, oficinas pedagógicas, socioemocionais e culturais. Mais de seis mil alunos já foram atendidos desde a sua fundação, incluindo o Projeto Crescer II, desde 2009, no campus da Universidade Norte do Paraná (Unopar)/Anhanguera. Os alunos recebem também café da manhã, almoço e café da tarde de segunda a sexta-feira, sem custo algum para as famílias. “No Projeto Crescer, a educação transcende a transmissão de conhecimento; é uma expressão tangível de afeto, de amor”, afirma Paulo.
Na primeira noite das comemorações dos 20 anos, a história foi recontada com encenação teatral, música, dança, capoeira e fanfarra no palco. A segunda noite teve lançamento do décimo livro do projeto, com formato criativo de história em quadrinhos. “Jovens Detetives (Baile das Sombras)”, o título deste primeiro volume de uma série de cinco já planejada. Todo escrito e ilustrado pelos alunos, sob a orientação da equipe de professores, foi apresentado também no palco em forma de teatro. Na noite de encerramento, alunos, ex-alunos, professores, ex-professores e familiares deram depoimentos. O ex-aluno Alexandre Maciel, hoje é fisioterapeuta, pós-graduado e proprietário da clínica FisioCenter; Lorraine Messiano, hoje é biomédica esteta, embaixadora da Escola da Bell e sócia da Bellevue Clínica, assim como outros ex-alunos que hoje são empresários, advogados, etc. São a prova viva de como um projeto de servir pode moldar uma comunidade ideal.
Paulo é um líder nato e incansável. Trabalhei com ele em São Paulo, na Associação de Atacadistas e Distribuidores (ABAD), quando foi eleito presidente e levou para a entidade não só o seu expertise empresarial, como o seu compromisso de vida. Ele gosta de citar Theodore Roosevelt: “Faça o que puder, com o que tiver, onde estiver”. Pois fez muito também nos cinco anos de sua gestão na ABAD, com inúmeras ações de responsabilidade social. Deixou tudo documentado em um belo livro de formato longo (A4), com 196 páginas e fotos cor. É referência dos trabalhos sérios de ONGs e entidades assistenciais desenvolvidos em vários pontos do Brasil, que receberam doações financeiras e foram apresentados, ao vivo, a centenas de empresários do setor, no palco dos eventos mensais e nas convenções anuais da entidade. “Essas entidades empreendem com um esforço enorme, que deve ser valorizado, assim como todo o trabalho e toda a arte devem ter resposta comercial. Foi isso o que buscamos proporcionar: reconhecimento”, definiu Paulo. Vida longa e muita luz à empresários como Paulo e Cleide.
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Foto de capa: Divulgação Projeto Crescer

