Lambisgóia, sirigaita, estrupício, songamonga, mequetrefe, mocorongo, bruaca, chumbrega, pata-choca, bocó, varapau, paspalho, palerma, tongo, chinfrim, balofo, abelhudo, mundiça.
Circula nas redes sociais – eu recebi num grupo de amigos no WhatsApp – um post recordando essas palavras aí em cima, usadas como xingamentos em tempos passados. Tempos bem passados, aliás. Lá do período pré-politicamente correto.
Como seria uma conversa entre a bisavó, o mais perfeito perfil de baby boomer – e o bisneto Joca, exemplar bem acabado de integrante da geração Z?
A bisa é a Giudete e ela mesma admite quando se apresenta: meu nome é um erro… coisa do estrupício lá do cartório que meu pai, meio songamonga, não percebeu na hora…
A baby boomer tenta se manter ligada na vibe do guri, mas briga bastante com o tablet que ganhou do bisneto quando o Joca recebeu, de presente de aniversário, o novo e potente notebook.
Outro dia, enquanto Joca, dever de casa já feito, dividia a atenção entre o grupo de WhatsApp da escola e a nova série na TV, Giu tentava baixar uma nova versão do Candy Crush, que, afinal, ela precisa manter o cérebro em atividade como manda o joguinho.
Ô, Joca! Este aparelhinho que você passou pra mim é bem mequetrefe! Vive travando!
Calma, bisa, cuidado com o crashing out, não vá perder o controle! Isso é um bug no sistema. É só reiniciar. Reestarta aí que dá certo!
Que bug, o quê!? Toda hora tem que reiniciar. Isso é coisa de algum mocorongo dessas empresas chinfrim que só querem fazer a gente de bocó!
Tá on fire, hein, bisa?!? Fica calma que já, já atualiza…
Atualiza quando? Eu já tô achando que esse tablet chumbrega só desatualiza e me deixa aqui feito pata-choca olhando pra esta telinha! (É claro que ninguém disse pra Giudete que o tablet deixou de ser atualizado em 2024 e deu lugar para um mais potente)
Coisa mais cringe passar o dia jogando. Deixa o Candy Crush um pouco, bisa. Tenta abrir o TikTok, o Instagram…
E eu vou perder tempo nesse TikTok, nesse Instagram onde um monte de palermas fica aplaudindo outro monte de lambisgóias e sirigaitas, essas tais influencers que inventaram agora, posando de coisa séria…
Tem influencer sério, bisa. Gente que trabalha.
Eu sei que tem. Mas também tem muita mundiça só atrás de – como é que fala? Atrás de like… E sempre tem um tongo pra aplaudir e até compartilhar as besteiras desses paspalhos e essas tais, como é? Fake news?? E se alguém demente, explica, pronto! É bruaca, chumbrega…
Joca fecha o notebook.
Tá caprichando no xingamento raiz, bisa! Mas você tem razão. Tem muito hate nas redes.
Xingamento é xingamento, Joca! Mocorongo é assim no meu tempo, é assim agora. São esses paspalhos balofos que pra chegar ao poder com os nossos votos, nos fazem de palermas e, quando chegam lá, viram songamongas que não fazem nada por nós.
Taí, bisa! Três gerações nos separam, nossas queixas são quase as mesmas de sempre.
Tá bom, Joca. Agora, não se faça de abelhudo. Vá ver a sua série e me empreste esse seu notebook inteligente, que o meu tablet ficou paspalho e eu quero jogar minha paciência e meu Candy Crush…
Todos os textos de Fernando Guedes estão AQUI.
Foto da Capa: Reprodução de tela do jogo Candy Crush.

