Pensei e repensei em escrever sobre a minha turma do Colégio Israelita Brasileiro (CIB), que saiu daquela redoma acolhedora no ano da graça de 1981. Saiu pra vida, e seus integrantes tomaram seus diversos rumos na mesma. Literalmente, 1981 foi o “ano da graça”, porque foi o ano do profeta Baltazar, o Baltazar Maria de Moraes Jr, aquele que jurou ter algo melhor o aguardando -e, como vimos pela narração do Luciano do Valle, tinha mesmo. Mas, enfim, não estou aqui pra falar de Balta, Leão, Tiziu, Taddei, China, Renato Sá, Paulo Roberto, Casemiro, Odair, Flecha Negra ou daquele guri que já fazia a gente ir mais cedo ao estádio só pra vê-lo enfileirar zagueiros aos dribles nas preliminares, um tal de Renato Portaluppi.
Estou aqui pra falar sobre a minha turma, não exatamente a do futebol. E pensei e repensei porque certamente vou cometer omissões e peço aos ex-coleguinhas que se sintam representados pelos citados. Até pedi ajuda pro meu mano Benamy Sniadower pra lembrar o máximo possível de colegas. O Bê tem uma memória comparável só às do José Alberto Andrade e do Nelsinho Burd. É muito inteligente o meu amigo. Se houver omissões, reclamem pra ele.
E, antes de começar o que na verdade já comecei, quero homenagear um coleguinha furtivo, o Michel Nisembaum, que, depois de ter convivido fugazmente conosco no CIB, foi morar em Israel ainda criança e fez a vida por lá. O Michel foi assassinado no dia 7 de outubro de 2023, naquele evento pra alguns exasperantemente invisível, que sedizentes “humanistas” (muitas aspas aí), com zero empatia, chamam de “resistência”. Um antissemitismo redivivo doloroso.
Ao contrário desses jogadores de WAR, cheios de teorias antissemitas vomitadas com ar de justiceiros humanistas e profunda ignorância leviana, eu realmente sou empático. Sou desde criança, e isso é genuíno. Juro! Quem me conhece desde sempre sabe que sou assim. Realmente me ponho no lugar do outro, mesmo quando esse outro tenha sofrido com alguma traquinagem da qual fui protagonista. Sempre que fiz bullying, depois me senti péssimo, e isso diz algo de mim.
Porque o texto não é sobre isso, mas empatia é um sentimento essencial que se vê no cotidiano, nos detalhes aparentemente mais insignificantes da vida -mas essa é uma longa conversa. Até a implicância lacradora com um jogador de futebol em eventual má fase me dói. Penso no sofrimento que a pegação de pé irracional da torcida possa estar provocando no guri (o jogador de futebol, em geral, é um guri). Não é querer me jogar confete, mas realmente sou assim, é profundo e me orgulho disso.
Mas aí você vê homofóbicos, racistas, antissemitas, capacitistas ou outros canalhas e os critica porque é feio ter sentimentos assim. Sim, é feio. Só que não é o principal apenas achar reprovável socialmente. O principal é perceber cotidianamente, na vida real, como sofre uma pessoa desrespeitada pela sua orientação sexual, pela cor da sua pele ou pela origem étnica, identidade e natureza. A pessoa sofre, e os pais dessa pessoa sofrem de forma redobrada, porque filho é sagrado.
Faço essas digressões por dois motivos. Primeiro porque acho que muito dessa minha verdadeira base humanista vem das raízes, e os valores repassados pelo CIB, em conjunto com os meus pais, estão inoculados em mim. E também porque tem uma pauta positiva aqui. Assim como me ponho no lugar de quem sofre, me ponho no lugar de quem exulta. Torço pelos meus amiguinhos, vibro por eles.
Recentemente, encontrei o Fábio Piltcher na despedida de uma querida amiga comum que se foi repentinamente deste mundo. Nos abraçamos e falamos sobre esse amor de quem se quer por ter crescido e descoberto a vida juntos. Comentei depois com o Bernardo (“Berale”) Soltnik, e o Berale traduziu o que sinto, o que diz muito da nossa afinidade de mais de meio século: “Somos como irmãozinhos.”
E somos.
E aí em cima falei de outros dois baita seres humanos.
Mas o que me inspirou a falar sobre a nossa querida turma foi a indicação do Dan Ioschpe pelo governo federal pra ser o Campeão Climático de Alto Nível da COP 30. O Dan foi meu colega no CIB e depois na Fabico (a faculdade de Comunicação da UFRGS), eu estudando Jornalismo e ele Publicidade. O Dan, além de extremamente preparado, sempre foi um doce de pessoa, divertidíssimo e querido.
Falou coisas assim: “Espero poder apoiar a presidência da COP 30 no avanço da ação climática, incluindo a transição energética, fundamental para o desenvolvimento socioeconômico ao redor do mundo e ainda mais importante para o Brasil, dado o seu potencial para a aceleração desta agenda. Sempre integrando o maior número possível de agentes da sociedade, capturando as diferentes iniciativas e oportunidades.” Isso, como virou moda dizer, é “puro suco de Dan”.
Mas vamos lá. Esse texto não é exclusivamente sobre o Dan. É sobre a turma.
Tem os Leandros, que moravam no mesmo prédio da Fernandes Vieira. O Branchtein e o Zimerman. O Branchtein era um legítimo nerd, fez Medicina na UFRGS, se tornou médico conforme o que se esperaria dele, mas… eis que se transformou num Mick Jagger, de óculos escuros pra esconder a própria incredulidade, rebolando e derretendo corações adolescentes como vocalista da banda Os Eles, ao lado do criativo amigo Dannie Dubin e do Leo Henkin (o Leozinho é de outra turma, mas não resisti em citá-lo porque somos muito amigos). Ah, e o empresário, produtor etc é o imparável e bem sucedido Ilton Carangacci, que conduz a carreira de vários artistas destacados da nossa cena regional e nacional. Grande Iltinho! Nosso Brian Epstein (que, aliás, era judeu).
Essa é a minha turma!
Sobre o outro Leandro, o Zimerman, um grande irmão, não foi ao bar-mitzvah do meu filho porque tinha um congresso de cardiologia na Grécia em que ele próprio era palestrante (vejam o nível da coisa!). A esposa dele, também nossa coleguinha e minha amigona, a Adriana, foi e representou a família. Pois o cardiologista Leandro é o responsável por manter abertas e sadias as veias daquele cara que citei lá em cima por fazer filas de zagueiros e nos dar alegria: sim, o Renato.
Convivo muito também, desde o CIB, com outro irmão muito próximo, muito querido e sempre presente demais na minha vida (como eu na dele): o Cláudio Ricachinevsky, o “Caju”. O Cláudio é pediatra, mas não foi o dos meus filhos justamente por sermos muito próximos. Me indicou o pediatra e depois sempre indicou os nossos médicos, incluindo a turma de anjos que atendeu a minha filha quando ela teve uma doença gravíssima superada graças a eles.
Devo acrescentar aqui outros pediatras de mão cheia, os queridissimos Benjamin Roitman (com quem também tenho a honra de conviver eventualmente e constatar enormes afinidades) e Claudio Golbspan, ambos ótimos como pessoas e médicos.
Outro muito próximo é o “Mano Xará” Leo Berger. O Leo é inteligentíssimo. Fez Engenharia Eletrônica na UFRGS e se dedica com paixão a esses lances da Física. Mas sempre foi um dos engenheiros com mais vocação pra temas humanistas que conheci. É um geniozinho que curte boa música, do soul ao rock progressivo. Aliás, se quiserem contratar um cover do Tim Maia, do Fabio e do Hyldon cantando “Velho camarada”, passo inbox o contato do nosso agente: o Rogerinho Malamut. Os vocais somos eu, o MX e o Bê. A parte do “Deus queeeeira!!!” sou eu que canto, emocionado. Se quiserem cover do Vinícius Cantuária ou do Kiko Zambiahchi, aí é a carreira solo do Bê, e eu não me meto. Só implorei pra ele jamais cometer aquela versão absurda do Kiko pra Hey Jude. Aquilo me revira o estômago tanto quanto a Simone estraçalhando (no pior dos sentidos) Happy Xmas, do John. Tchê, coitadinho! Não merecia esse segundo assassinato.
O Rogerinho é tipo um Dartagnan da turma. Não estudou no CIB (foi aluno do Aplicação). O primo dele, o Clóvis, foi nosso colega e hoje mora em Israel. Mas o Rogerinho é como se fosse, porque o sentimento é esse. É filho honorário do CIB.
Também tem o Hélio Maltz. O Hélio, engenheiro civil com carreira no setor público, é outro irmão de alma. Éramos vizinhos na Castro Alves e colegas de aula. As nossas afinidades são enormes. Quando crianças, brincávamos de joguinhos inusuais pra meninos. Zero agressividade. Nada de forte apache ou armas. Curtimos brincar de lojinha. Outro dia comentei com ele como isso diz muito do que fomos e ainda somos.
Falando em “afinidades”, a nossa turma é dividida em termos de política (no sentido partidário) e futebol. E alguns mais salientes nesses temas (de formas que não curto) fizeram eu deixar o grupo de Whatsapp, mas sem jamais tirá-los do meu coração. Anny, me desbloqueia! Te amo! Esquece aquele lance da vacina. A Aliana me xingou por política partidária, mas continuamos nos adorando, e, evidentemente, nos une o asco aos antissemitas.
Cheguei a ser chamado de “maconheiro e comunita”. Maconheiro, sim, atualmente em recesso forçado. Mas comunista? Olha, até sou dado àquilo que alguns chamam de “mimimi” e defendo a democracia e valores como a justiça social, mas nunca cheguei nem perto do coletivismo. Sim, eu sei que todo progressista andou sendo chamado de “comuna” no auge da polarização. Mas… volta Any! Quero te ter por perto.
Outros caras que encontrei nos corredores das redações foram os queridos e talentosos Eduardo Tessler e Gabriel Oliven, ambos de longa trajetória em veículos do centro do país (como eu, devo dizer…). Em 1994, eu cobria a chegada da seleção brasileira tetracampeã no Rio, escrevia na redação do Globo e mandava as minhas matérias pra ZH por fax (qualquer hora explico o que era isso, crianças). Aí vejo o Gabri, e corremos um em direção ao outro nos unindo num abraço que é eterno (o Gabri é um amigão muito especial). Deu pra ouvir os cariocas com um muchocho e o comentário baixinho: “Sempre achei esses gaúchos meio estranhos.”
Foi lindo, Gabri! Eles que vão cuidar das suas vidas.
Mas voltemos às artes, porque temos a dulcíssima, divertidíssima e queridíssima amiga Ilana Kaplan. A Ilana é uma baita atriz, acho que nem preciso dizer. Uma vez, ela interpretava a hilariamente careta professora Matilde na novela Carrossel (SBT), e a minha filha, pequenininha, com os olhos vidrados na tela, se deliciando com o desempenho da Ilana. Percebi e disse pra Paulinha: “”Ela foi minha coleguinha no (nosso) colégio.” A Paula só acreditou quando mostrei o Whatsapp.
Tem a adorada amiga Flávia Seligman, maravilhosa cineasta e de um bom senso maravilhoso. Uma querida, que me alegra sempre que nos encontramos. A outra Flávia, a Wassermann, se foi pra Floripa, e não a vejo há décadas, infelizmente. A Flu Seligman é amigona de uma cantora ultraquerida, a amiga e também ex-coleguinha Marisa Rotenberg, uma doçura na voz aveludada e na alma acolhedora.
O Flávio Knoche e a Dani Mold são, ambos, como irmãozinhos. Desde sempre.
O Serginho Sirotsky é outro que adoro encontrar. O papo rola com uma fluidez maravilhosa. Aí ele diz: “Cara, vem aqui pra Suíça, pra falarmos sobre o Grêmio e outras coisas lindas.” Dá vontade de ir, mesmo. Aparecer lá de surpresa, tipo aquela baita mala inconveniente. Trabalhando por muitos anos em ZH, conheci melhor o Seu Jayme, pai dele, e constatei como é real aquele lance do fruto e da árvore.
Engenheiros há em boa quantidade. Do querido Gerson Mittelmann eu tive o prazer de me reaproximar porque as nossas filhas foram colegas e são também amigas. O Nelson Smejoff, o Zeca Gensas, o Ruwin Libermann, com forte atuação institucional. O Fernando Krimberg é outro querido amigo, que adoro encontrar por aí. Baita engenheiro. O pessoal constrói prédios de concreto e pontes emocionais.
Ufa!
Vocês percebem como se avoluma a lista?
E nem na metade cheguei. Temo cometer injustiças por omissão. Socorro, Bê!
Mas o importante é constatar o humanismo contido nessa turma e a qualidade que esse humanismo emprestou à vida, à comunidade ampla. Assim é o CIB, e está longe de ser só na minha turma. Assim é a essência da nossa cultura judaica. Forma vínculos estreitos e eternos. E faz nos orgulhamos muito uns dos outros.
A ponto de eu estar escrevendo este texto que pode ser visto como uma declaração de amor talvez intempestiva, mas asseguro que permanente. E coletiva.
Tivemos professores incríveis. Já escrevi bastante sobre figuras marcantes como o Voltaire Schilling e o Sérgio Silva, com quem tenho histórias ótimas. Mas isso exigiria um texto à parte. Vou focar na Soninha Sirotsky, prima do Serginho, que nos alfabetizou. Eu brinco com ela que sou o trainee mais precoce da história. Fui alfabetizada por uma professora cuja família é dona da empresa jornalística onde comecei e mais tempo trabalhei (foram 24 anos só entre ZH e Folha).
Hoje, a Ilana Eilberg coordena a educação judaica do CIB. É craque nisso e também foi da nossa turma. Sério, as habilidades e as qualidades são infinitas.
Ah, o Raul Kijner. A palavra “querido” é sinônimo dele. O Duda Stein idem, como é bom ver o Duda. O Giba Carnos, sensível, humanista. O Marcello Groisman. O André Fridman, que saudade. O Dado Zelmanovitz, outro doce de pessoa. O Clóvis Matone tinha o apelido de Batata e virou cervejeiro. O cara é um combo da gastronomia britânica: batata com cerveja. Só falta o peixe. Como ele anda lá por Santos, isso não deve ser nenhuma dificuldade. O Marquinho (Marco Aurélio) Berger é outro cara incrível, de ótimo coração, que há décadas foi pra Israel e vi só uma vez desde então. Primo do MX, é outro geniozinho da Física.
E o Kuki, hein? Era o apelido do merecidamente famoso Ricardo Stein, que foi médico (cardiologista) até do Diego Maradona (eu era correspondente da Folha em Buenos Aires em 97/98 e, veja só, tive que entrevistar o meu amigo de infância, e isso foi muito emocionante). O Claudinho Burd e seu senso de humor sutil (nós fizemos uma troca. Hoje ele tem mais cabelo que eu -mesmo que meio acessório, mas tá bonitão ele-, e era o contrário). O Gil Finkelstein! O Fernando Maltz! O Solon Laks! A figuraça querida que sempre foi o André Fridman, hoje um respeitado médico anestesista. O Moritz! Que baita querido é o Zeca Gensas. Por serem altos, ele e o Oscar formaram uma dupla de zaga que marcou época na cancha asfaltada. Dois postes.
Com o Alan Herborn curti muito rock’n roll e consumi muita erva (perdão pela indiscrição, querido Alan, mas ponhamos “la mala leche” na boca dos caretas, como dizia a Gal interpretando aquela música absurdamente linda do Caetano). Acho que quem vai curtir esse comentário sobre o Alan e dar um sorriso matreiro é o Eduardo Brilmann. O Dadinho virou sexagenário, mas nunca deixou de surfar. Vem aqui curtir conosco, amigo querido! Vamos rir (“Quero que pinte um amor Bethânia / Steve Wonder Andaluz / Mais do que eu tive em Tel-Aviv / Perto do mar, longe da cruz”).
Confesso que é meio estranho citar os nomes das gurias, porque muitas mudaram de sobrenome ao se casarem. E pra mim elas são o que eram. Uma exceção é a Elana, craque da dança israeli, que virou Fridman porque se casou com o amigo Claudinho (que tem um ano a menos e era “piá” na época do colégio). Óbvio que outra exceção é a Adriana, que foi Bondar mas se tornou Zimerman porque se casou com o Leandro. Como sou amicíssimo de ambos, tá valendo. Outras não mudaram, como as doces Márcia Fischmann, a Denize Bochernitsan (que trabalho lindo ela faz, que vontade de falar mais com ela), a queridaça Renata Maltz, a Marlise Kersz, cujo pai era tão amigo do meu. Tem a Regina Berlim, a Lulu Pecis, a Úrsula, a Betina, a Dóris, a Cláudia Mairesse, a Claudia Rachewsky, a Rosane Schotkis, a Marize Sirotsky, a Rosane Mester, a Rosane Levi, a Laís Bonder, a Cláudia Stivelman, a Silvia Levin, sempre uma alegria quando eventualmente as encontro. A querida amiga Nádia. A Maity! A Sheila, que na adolescência virou musa da gurizada e é hiperquerida -um colega imitava o “Animal”, personagem cavernícola dos Muppets que tocava bateria, ao falar o nome dela como quem rosna inconformado diante de tanta formosura (outros tempos…).
O Jacques Zimermann é psiquiatra. Ele e o já citado Leandro Zimerman são filhos, respectivamente, do Davizão e do Davizinho, referências incontornáveis da psicanálise no Rio Grande do Sul. Pela minha enorme proximidade com o Leandro, tive a honra de desfrutar do humanismo e da inteligência do Davizinho.
A Lisi Amon, engenheira, inteligentíssima, extremamente humana; a querida Lizete, o amigo Ernani (ambos Igor, da tradicional ferragem do Tio Ramiel), o Samy Ritter e o Serjão Galbinski, dois queridos amigos, médicos ginecologistas. O Marc! Que cara legal! O Mario Levin (fomos juntos, eu ele, o Bê, o Benja Roitman, o Dannie Dubin, o Ilton Carangacci e o Rogerinho Malamut ver o show do Paul em Floripa ano passado). O Oscar Rubin, outro querido. A Stela Maris (a eterna amigona “Teia”!), a Vivian, a Clarice Glock, a amada Cláudia Ledermann, a doce Nádia, as queridas irmãs Débora e Ester, o Doutor Rubens Milman (querido amigo, grande ortopedista, um pândego disfarçado de homem sisudo), a Eliane (querida, colega de Fabico e de tantas conversas), a Jaque Almaleh, psicanalista e tenista, de quem tive a enorme honra de ser par no baile de debutantes. A doce Márcia Starosta, mal sabe como suspirávamos por ela quando crianças. A Marília Goldman, maravilhosa amiga que encontrei algumas vezes na Arena. A Katia Schames, amigona, madrinha do meu cusco Jake. A Marlise Schames. A querida Mika (Miriam Starosta), a Miriam Mittelmann, lá em Israel, cunhada do Gerson. A Dora, outro amor de pessoa (que saudade!), vive há décadas na Espanha. Saudade da Deborah Cutin! A Marina Meimes, a Gisela Unis, a Lisarb, pessoas que eu amaria reencontrar, que acompanho à distância graças às redes.
A Liana Giacoboni, que outro dia encontrei na Festa da Rua e foi uma alegria. A Márcia Wladimirki, de quem às vezes tenho notícias nas redes sociais.
Eram inseparáveis.
A Marcinha Cogan, querida! A Katia Turik.
Onde anda a Vivi Nardi com aqueles olhos verdes que me deixavam tonto?
E o Henry Aleshinsky, hein? E o Álvaro Fridman, que também foi morar em Israel?
E tem os Jairos, que cedo trocaram de escola. O Dorfmann com suas fusquetas turbinadas e o Moscovich com sua religiosidade rigorosa.
O Ovelha deve estar por aí, com sua habitual grandiloquência persuasiva, falando alto e com a camisa aberta mostrando o medalhão no peito. A última notícia que tive dele me dava conta de que empresariava jovens e promissores talentos do futebol. Figura rara! Ou nem tanto, na real…
…
Lá sei eu por que motivo, nada nem ninguém em especial, quedei-me aqui divagando sobre a vida e suas armadilhas.
Se você for jantar fora, cuide na hora de pagar a conta pro acompanhante não ir ao banheiro sem voltar (história verídica).
Se você for comprar um carro usado, leve junto o mecânico de confiança (um clássico!).
…
Foram-se desta vida a linda e querida Patrícia Souto, o doce amigo Eduardo Weiss, outro Eduardo amigo querido, o Faleck, a muito amorosa Cláudia Schwetz, o Flávio Henrique, a inesquecível Vera Glusman, todos muito saudosos. Bah! É muita gente. E é muito carinho.
Enfim, a minha turma é muito afudê. Talvez tenha ficado ainda mais com o tempo, a maturidade. E não por acaso somos filhos do CIB, com toda a sua carga cultural humanista. Por que escrevi esse texto? Porque o Dan me despertou essa vontade e porque, ora, é bom voltar no tempo, olhar a origem de tudo e se orgulhar.
…
PS: o autor deste texto, na foto do fim de 1981 que ilustra a coluna, está bem à esquerda, embaixo, de camiseta regata branca, rindo sabe-se lá de quê. Talvez ainda esteja faceiro por causa da bucha de meses antes do Baltazar, pra todo o sempre o “Goleador de Deus”.
Shabat shalom!
Todos os textos de Léo Gerchmann AQUI.
Foto: arquivo pessoal

