Sabe aqueles filmes que avisam que o conteúdo é forte, pesado, de medo e violência extrema?
Pois bem, eu aviso que vem muita droga ilícita nesse meu despejo novo (acho muito interessante escritores que não são nenhum Nelson Rodrigues avisarem nas suas páginas nas redes sociais: “poema novo” como se o universo segurasse o fôlego depois desse aviso bombástico. Vou me narcisar e copiar).
Vem despejo novo.
Eu amo a vida, amo o céu, o sol, tudo que anda e respira (com exceção de algumas pessoas que estão mais pra bactérias e vírus do que gente que sente e pensa).
Mas sou enamorada com a morte.
Falei que seria pesado.
Estou deprimida?
Louca?
Doente?
Nunca estive tão bem resolvida com o meu corpo, a minha alma, as minhas escolhas e a minha vida.
A morte não me assusta, não é minha inimiga.
Eu soube cedo no dia que a Preta Gil partiu, depois de dois anos de luta contra essa famigerada, essa peste do século XXI.
No momento em que os meus olhos pousaram nas fotos que postaram todos os enlutados das redes sociais, pensei:
Parou de ser essa coisa murrinha que é ser gente.
Passou de ano, não sei com qual nota, pois não sou professor, mas passou.
Parou de ver o sol, mas parou de ver bebê recém-nascido jogado em qualquer esquina, dentro da onde só se carregam coisas.
Parou de brigar com os vizinhos, a política, as contas, os filhos, o marido. Com a falta de amor desse mundo doído.
Como diria a minha comadre, descansou.
Por que se diz isso?
Porque viver cansa.
Assim como nadar em um oceano azul, correr por muitos quilômetros, se apaixonar, trabalhar, conquistar.
Viver cansa, apesar de todo o viver ser cheio de prazer ou cansar justamente por isso.
E sabe o que penso quando me dizem que alguém partiu?
Puxa vida, você vai saber o porquê dessa merda toda.
Pode me contar em alguns sonhos?
Ou preciso, finalmente, me despedir?
Mônica Becker Dahlem é publicitária, jornalista, escritora. Barbara, Frida, Caderno Literário Ajuris, Casos de Sucesso SEBRAE.
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Foto da Capa: Gerada por IA.

