(Esta crônica é dedicada à minha mãe, que estava de aniversário na semana passada)
Muitas pessoas ficam curiosas sobre como comecei a escrever, e eu sempre digo que foi por influência e inspiração da minha mãe, Fernanda, que estudou Letras e tem diversos romances publicados. Logo em seguida, me perguntam: “Mas ela te obrigou a escrever?” E eu acho graça, porque ela nunca me forçou a gostar de literatura, foi tudo sempre muito espontâneo.
Uma das minhas primeiras lembranças com a literatura é a partir dela, que lia e contava histórias para mim quando eu era muito pequena. Me recordo com carinho dos contos dos Irmãos Grimm, que eu sempre pedia para ela ler, em casa ou quando estávamos viajando. Eu também adorava ouvir os Contos da Távola Redonda e imaginar as aventuras do Rei Arthur e os cavaleiros na corte de Camelot. Logo quando aprendi a ler, ela me presenteou com o livro “Um tesouro de contos de fadas”, com ilustrações tão lindas que despertavam ainda mais a minha imaginação.
Uma lembrança engraçada sobre tudo isso é de uma tarde em que, quando tinha cinco ou seis anos de idade, minha mãe me levou para assistir a um sarau de poemas da Letras, na UFRGS. Todo mundo achava curioso uma criança tão pequena lá no meio, ouvindo atentamente a declamação de poemas. Lembro de ter achado aquilo tão incrível que pensei: um dia também quero escrever as minhas próprias histórias.
Quando fui alfabetizada, comecei a escrever historinhas envolvendo os meus animais de estimação e me interessava cada vez mais por contos de fadas e outros livros infantis. O apoio da minha família sempre foi fundamental para eu continuar escrevendo e imaginando. Mais tarde, aos dez anos de idade, tive a oportunidade de participar de uma antologia de contos chamada “Sem/Cem Palavras”, cujo objetivo era cada autor escrever cinco minicontos de cem palavras. Este livro foi muito especial para mim e marcou o meu início na literatura, agora como escritora, participando da Feira do Livro com mais dezenove autores, entre eles a minha mãe, que era uma das organizadoras.
A partir dessa publicação, nunca mais parei de escrever. Depois desta antologia, vieram o “Outras Sem/Cem Palavras”, a continuação deste projeto com os mesmos autores, a publicação do “Meu padrasto é a maior viagem”, o meu primeiro romance solo, e, em seguida, o “Nós e os dragões”.
Me considero muito sortuda por poder trocar ideia sobre literatura e aprender muito com a minha mãe. Uma das coisas de que eu mais gosto na literatura é que nunca falta o que escrever, e aqui em casa estamos sempre pensando em novas histórias, revisando os textos uma da outra e nos divertindo com as ideias que aparecem.
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Foto da Capa: Oblíquo Imagens / Divulgação

