
Na política, confesso que não sou muito chegada às semânticas militares. Tive uma formação demasiado humanista que beira quase ao preconceito com tudo o que cheira a bélico, à guerra etc. Em todo o caso, não nego essa presença na palavra “militante”, razão pela qual, tantas vezes, preferi a palavra “ativista”.
No entanto, como tantas e tantos que conheço, estou no exército digital do Lula, comandado pelo deputado federal mineiro André Janones. Como soldada, não sou das melhores – quem sabe seja uma soldada daquelas bem rasas. Ainda assim, penso que está valendo todo e qualquer esforço para que a vitória de Lula se concretize no próximo domingo.
Como psicanalistas, o mais fácil é que nos vejamos sempre na posição intelectual de analisadores das massas e nunca como parte dela. Um equívoco soberbo e um distanciamento intelectual recorrente no campo progressista que parece estar, finalmente, sendo vencido. Ao menos no âmbito digital. Mérito do terror ao bolsonarismo e do Janones. Há anos o deputado alerta para algo duro de aceitar: o fato de que não basta estar com a verdade, mas também é preciso estar no controle da narrativa. E a narrativa está nas redes sociais, não adianta mais questionar essa realidade. O pedido de Janones é de que essa intelectualidade, que problematiza muito e anda pouco, tanto fique suspensa por estes dias. E que, assim, os quase 5 milhões e meio de soldados atuem nas redes sob o seu comando. Curtir, repostar, compartilhar e usar hashtags são as principais armas dessa grande ação virtual de vira-voto. E está funcionando.
Lula vai ganhar? Saberemos dia 25, mas hoje já conhecemos a força descomunal da coordenação digital. Algo a não perder de vista, independentemente do resultado das urnas, porque, qualquer que seja, vamos necessitar seguir mobilizados. Quer dizer, os exércitos digitais vão precisar permanecer.
É claro que a mobilização nas ruas também vai ter que seguir, seja para garantir a posse segura de Lula, seja para que possamos nos contrapor aos pacotes de maldades do Bolsonaro de plantão.
O que André Janones fez é efetivo, porque necessitávamos parar de brigar e de um direcionamento que organizasse a nossa raiva. Aqui, lembro de um psicanalista, o Leclerc, que mencionava uma certa “raiva que anima a viver”. Bonito e heroico não é, mas certamente é melhor do que o medo ou a paralisia.