
Lá vêm eles! Entraram na reta final. Quase cabeça com cabeça. Ainda com uma vantagem para o tríplice coroado, que busca o quarto título deste Grande Prêmio Brasil. Colado no tricampeão, o filhote do Dark Horse corre por fora, mas segue com jeitão de quem vai pagar placê, cruzando a linha em segundo lugar…
Aqui, cabe uma rápida explicação para os não chegados às corridas de cavalo: azarão (dark horse, na língua dos trumpistas) é aquele cavalo desconhecido que, de repente, ganha um páreo importante e garante prêmios altíssimos para os poucos que apostaram nele.
O azarão brasileiro — que, dizem, virou filme norte-americano financiado por Daniel Vorcaro, com acertos de cocheira e grana que ninguém explica como foi usada — surgiu em 2018.
Naquele ano, o Dark Horse ganhou a corrida com boa folga. Há uma desculpa para os derrotados: o adversário do azarão substituiu o então bicampeão, impedido de participar pelos juízes da prova, e só chegou à pista já em cima da hora da largada. O Dark Horse correu frouxo…
Verdade comprovada: azarão não repete vitória. E o nosso, tentando o bicampeonato, foi derrotado em 2022 pelo bicampeão que estivera impedido no páreo de quatro anos antes.
Pois, passados mais quatro anos, o azarão de 2018 é quem está impedido. E uma cria dele disputa a corrida com o agora tríplice coroado. Treinado no mesmo campo, sem mostrar nenhuma diferença em relação ao pai, a cria chega à reta final até melhor do que se imaginava. Não por méritos próprios, mas por alguns tropeços do favorito.
E, além de se manter colado no primeiro colocado, o filho do Dark Horse precisa cuidar de não empacar em algum dos retardatários que ainda sonham chegar na frente dele.
A linha de chegada está bem ali. Cada um de nós é jóquei nesta reta final. Até domingo, tem tempo de decidir: vamos entregar a faixa a quem já dividiu o prêmio de outras vitórias com a maioria da torcida, ou vamos premiar o azarão que só divide o prêmio só com o pessoal da cocheira e até pode — como o pai pensou em fazer em 2023 — proibir futuras corridas com o fechamento da pista?
Vamos entregar a faixa para quem divide as redes com a maioria, ou permitir que o azarão leve todo mundo a cabresto?